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nº 112 - Dezembro 2012

 

Atividades de Políticas Públicas e de Projetos do Mater Natura, em novembro

Dentre nossas atividades de Políticas Públicas realizadas no mês de Novembro, destacamos a participação em: (i) Reuniões do FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Curitiba-PR, via skype, dias 06 e 07); (ii) Seminário de Educação Ambiental por Bacia Hidrográfica (Curitiba-PR, dia 23); (iii) 1º Colóquio Paranaense de Direito do 3º Setor - ONGS perguntam e a OAB responde (Curitiba-PR dia 27 - Foto); (iv) 4ª Reunião da Comissão Técnica sobre Manguezais, do Ministério do Meio Ambiente - MMA (Brasília-DF, dias 27 e 28); (v) Reunião da Câmara Técnica Biodiversidade, Biomas e Educação Ambiental, do Conselho Estadual do Meio Ambiente - CEMA (Curitiba-PR, dia 29).

As atividades realizadas em nossos projetos no, mês de Novembro, foram:

(i) No projeto “Território, biologia reprodutiva e elaboração de um Plano de Ação Nacional para Conservação da Maria-da-restinga (Phylloscartes kronei)”, aprovado junto à Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza – FGBPN, entre os dias 11 e 23 foi realizada mais uma etapa de campo na Reserva bicudinho-do-brejo. Durante este período foram registrados os primeiros filhotes fora do ninho desta estação reprodutiva. O indivíduo 22, cujo ninho estava em atividade no campo anterior, agora foi registrado cuidando dos seus três filhotes fora do ninho. O casal formado pelos indivíduos 16 e 18, que teve o ninho predado no mês anterior, já está com um novo ninho em atividade de incubação. Neste campo foram coletadas as primeiras informações sobre a área de vida do indivíduo 26, anilhado em setembro de 2012 e que agora encontra-se pareado com o indivíduo 3. Na foto (de Carlos Gussoni), filhote do indivíduo 22 fotografado próximo aos pais.

(ii) Durante o mês de novembro a equipe do projeto “Riqueza, ecologia molecular e conservação de Melanophryniscus  (Amphibia: Anura: Bufonidae) da Floresta Atlântica do sul do Brasil”, apoiado pela FGBPN, realizou o processamento dos espécimes coletados em campo. Todos os indivíduos foram anestesiados, fotografados, descritos quanto à coloração, sacrificados e amostrados em tecido para procedimentos genéticos. Foi dada continuidade às atividades de campo viajando a duas localidades. Em Serra Malhada (SC) foi constatada potencialidade para a ocorrência de Melanophryniscus, embora não se tenha obtido sucesso de coleta. No Anhangava (PR) não há ocorrência do gênero. Ainda, em laboratório molecular, foi purificada e realizada reações de sequenciamento. Em seguida, nova purificação será realizada previamente ao encaminhamento das amostras para o sequenciador.

(iii) Os trabalhos de campo do projeto “Zona Livre de Braquiária: uma proposta para a conservação do bicudinho-do-brejo na APA de Guaratuba (PR)”, aprovado junto à FGBPN, foram realizados entre os dias 05 e 11 de novembro no estuário da baía de Guaratuba e entre 21 e 26 de novembro na Reserva Bicudinho-do-brejo. Finalmente a equipe encontrou os primeiros ninhos de Bicudinho-do-brejo na Lagoa do Parado. Estão sendo monitorando quatro ninhos no grid da Lagoa do Parado e três outros, assim como 10 filhotes fora dos ninhos na região do estuário da baía de Guaratuba. Os dados obtidos sugerem que nesse ano, com menos chuvas, os Bicudinhos-do-brejo da Lagoa do Parado tiveram um atraso no início de suas atividades reprodutivas. Quanto ao manejo das braquiárias-d’água as atividades continuam e cada dia temos menos braquiárias crescendo e mais áreas regenerando e o que é melhor: sem uso de produtos químicos. Na foto (de Bianca L. Reinert), ninho de Bicudinho-do-brejo na Lagoa do Parado.

(iv) Quanto ao projeto “Avaliação da Vulnerabilidade de Extinção das Espécies da Floresta Atlântica Mediante o Uso de Redes de Interação Mutualística entre Plantas Zoocóricas e Aves Frugívoras”, financiado pela FGBPN, foram efetuadas análises dos dados referentes à avifauna, fitofisionomia e estatística das redes de interação; identificação do material botânico; e levantamento nutricional dos frutos de espécies de plantas representativas na rede de interação observada com as aves frugívoras. Uma fase de campo de três dias foi realizada na Reserva Natural Salto Morato para coleta de frutos utilizados nas análises nutricionais. Até o momento foi realizado o levantamento nutricional dos frutos de seis espécies.

(v) A equipe do projeto “Vulnerabilidade de aves estuarinas à mudança climática” realizou duas campanhas em novembro. Foram encontrados sete ninhos de bate-bico, sendo um com ovos, e dois do bonito-do-piri, ambos com ovos. Os ninhos foram medidos e acompanhados, com o propósito de constatar novas posturas e avaliar a sobrevivência dos filhotes. A vegetação dos sítios de nidificação também foi descrita, assim como anilharam-se adultos e jovens de ambas as espécies, realizaram-se censos de aves migratórias e descrições de fenologia da vegetação e efetuaram-se medições de salinidade e maré alta. Nesta fase tivemos o auxílio de um aluno da The New School de New York, Davíd Cóltun. Na foto, equipe de trabalho, sendo da direita para a esquerda: Davíd Cóltun, Felipe Shibuya e Ailton de Guedes.

(vi) Pelo projeto “Implantação do Plano de Conservação do Bicudinho-do-brejo”, patrocinado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade - Funbio, foi dada continuidade as atividades relacionadas ao estudo da variabilidade genéticas das populações do bicudinho-do-brejo no Laboratório de Dinâmica Evolutiva e Sistemas Complexos da UFPR.

(vii) No projeto "Corredor das Araucárias" financiado pelo MMA/PDA, e do qual o Mater Natura é um dos integrantes do consórcio de instituições parceiras coexecutoras, nos dias 27 e 28 de novembro foi realizado a última reunião de sua Rede Gestora - REGE (foto), ocasião em que foram apresentados e avaliados os resultados previstos em suas Metas. Também foi debatido o Plano de Ação para a continuidade das reuniões da REGE após o término do apoio do MMA/PDA.

(viii) Em relação ao projeto "Ações de Governança Participativa no Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná", financiado pelo MMA/PDA, e do qual o Mater Natura é um dos integrantes do consórcio de instituições coexecutoras, durante o mês de novembro foram finalizados os mapeamentos e dado continuidade à elaboração do diagnóstico do corredor. Também foram realizadas reuniões e discussões quanto à continuidade do projeto, via PDA ou outras fontes de financiamento.

(ix) Em dezembro, mais um novo projeto do Mater Natura deve iniciar suas atividades. Denominado de “ConBio, investindo na capacitação como estratégia para a conservação da Mata Atlântica”, ele foi recentemente aprovado em edital do Funbio - Fundo Brasileiro para Biodiversidade, com verba do Tropical Forest ConservationAct (TFCA), e tem por objetivo fortalecer indivíduos e organizações governamentais e não governamentais de Curitiba e sua Região Metropolitana por meio de capacitação para a elaboração e gestão de projetos voltados à conservação da Mata Atlântica, bem como da capacitação de representantes de prefeituras/secretarias municipais da Região Metropolitana na elaboração dos Planos Municipais para Conservação e Recuperação da Mata Atlântica.

(x) Durante o mês de novembro foram realizadas atividades do "Programa Petrobras Agenda 21 de Comunidades" em oito comunidades do município de Araucária (Paraná) e duas no município de Curitiba. O projeto está envolvendo os jovens residentes destas comunidades e promovendo a sua capacitação (foto) para o levantamentos de dados, necessários para o diagnóstico comunitário, base da criação das respectivas Agendas 21 Comunitárias. Após o mapeamento das residencias, inicia-se o censo local.

(xi) No mês de novembro, a equipe do projeto "Cultivando Esperança“, apoiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, enviou nova solicitação de recursos ao financiador com o planejamento para o próximo trimestre, no qual serão feitas as atividades de restauração de mais 13 propriedades. Nas comunidades de Monte Alvão (Guarapuava-PR) e Rio Pequeno (Inácio Martins-PR), a restauração de matas ciliares será iniciada em janeiro de 2013, após o recebimento dos recursos. No Assentamento Rosa (Guarapuava-PR), a fase de preparação do solo e construção de cercas está quase finalizada nos três lotes piloto e, para o próximo trimestre, mais três lotes serão envolvidos. Na foto, preparação do solo para plantio de adubo verde no Assentamento Rosa.

(xii) O projeto "O Parque Nacional do Iguaçu: um Patrimônio Mundial a Descobrir e Proteger", do qual o Mater Natura é parceiro executivo da Rede Verde, continua o monitoramento contínuo da fauna da região de entorno do Parque Nacional do Iguaçu (PNI) e no interior desta Unidade de Conservação (UC) com o auxílio de armadilhas fotográficas. A pressão de caça furtiva nesta UC e entorno continua atrapalhando a preservação ambiental e resultou na perda de uma câmera do projeto (licença de atividades de pesquisa MMA/SISBIO/ICMBio: 32802-1). Registros animais incluem espécies de carnívoros (puma, jaguatirica, irárae outras), roedores (paca, capivara, cotia...) e herbívoros (veado mateiro, cateto...). O projeto capacitou 6 (seis) estagiários voluntários, sendo eles de Portugal: Fernando José dos Santos Espadilha e Daniela Maria Justino Alves Ramos (Universidade de Aveiro), e dos Estados Unidos: Thomas John Edward Nixon, (Regis University, WA) e Arielle Jacobs Schoen (Trinity Univesity, TX) e dois Brasileiros (Faculdade Anglo Americano, Foz do Iguaçu, PR): Tacius Villa de Lima e Alexandre Santos Pacheco Filho. Também, puderam constatar a pressão elevada das atividades de caça e pesca ilegal na UC e entorno. Os estagiários também foram expostos a ambos aspectos desta pesquisa, seja no campo deslocando as câmeras e fazendo a leitura, seja no laboratório realizando medições sobre amostras de solo. Além do mais, participaram de um mini-curso de dois dias sobre a legislação ambiental (foto), ministrado pelo professor doutorando Júlio Cesar Garçia da UNIOESTE, curso viabilizado através do termo de colaboração celebrado entre a Rede Verde e a UNIOESTE.

Também foi realizada mais uma oficina com a Comunidade de Dependentes Químicos da Sagrada Família no Porto Belo (Foz do Iguaçu), ensinando os residentes a cuidar dos animais domésticos. Os estagiários também tiveram a oportunidade de participar durante um dia de atividades permaculturais numa fazendacom práticas de agricultura orgânica e, por fim, participaram do décimo encontro anual do programa socioambiental da Itaipu Binacional denominado “Cultivando Água Boa”, onde a Rede Verde montou a TENDA DA PAZ (23/11/2012), que era um ambiente onde o público presente (cerca de 3.000 pessoas de todos os municípios da bacia do Paraná III) podia vir provar, gratuitamente, amostras de comida vegana (100% de origem vegetal), entre elas: leites vegetais de castanha-do-Pará e de amendoim, brigadeiro vegano, requeijão e queijo branco tipo Minas (100%) feitos com mandioca, povilho e tofu. A aceitação foi muito grande! Além da parte de degustação (foto), teve sessões de práticas de respiração e meditação kundalini, ministradas pela Profa. de Yoga Josely Saldanha, durante o dia inteiro. Essa experiência foi determinante para perceber a receptividade do público em geral para uma mudança de estado de consciência. Por fim, cada participante ganhou um pen-drive no qual estava inserido um panfleto educativo explicando esses diferentes estilos de vida e ensinando as pessoas a produzir leites vegetais e brotos germinados, visando potencializar o efeito benéfico sobre a saúde das mesmas. Este projeto foi apoiado pelas seguintes instituições: Universidade de Aveiro (Portugal), Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Itaipu Binacional, Faculdade Anglo-Americano (Foz do Iguaçu, PR), Parque das Aves (Foz do Iguaçu, PR), Antioch Study Abroad Program (EUA) e Fazenda J L de Lima (Sâo Miguel do Iguaçu, PR). Informações adicionais podem ser obtidas através da página Facebook da Rede Verde e do seu site oficial.

 

Saiba mais sobre espécies recém-descobertas ou ameaçadas de extinção
 

(i) A maior pesquisa já realizada sobre a ictiofauna da Amazônia completa três anos com a perspectiva de atingir a identificação de mil espécies na bacia do rio Madeira. O estudo liderado pela Universidade de Rondônia (Unir), que descobriu cerca de 40 novas espécies de peixes, credencia o rio como o de maior biodiversidade do mundo. Parte do programa de conservação da ictiofauna para a construção da Hidrelétrica de Santo Antônio, o levantamento avaliou uma área de 1,7 mil quilômetros, quase metade do tamanho total do rio - o 17.º maior do mundo em extensão. Foram encontrados desde novembro de 2008 um total de 957 espécies. No Rio Congo (7.º do mundo), um estudo baseado em estimativas apontou pouco mais de 700 espécies.

(ii) Em 1872, foram encontrados ossos da baleia-bicuda-de-bahamonde (Mesoplodon traversiiem) uma ilha remota do Oceano Pacífico. Nos 140 anos seguintes, a rara espécie permaneceu escondida, e as únicas evidências de que ela ainda existia foram ossos encontrados na Nova Zelândia (na década de 1950) e no Chile (em 1986). Quando duas baleias (uma fêmea e seu filhote) encalharam na Praia de Opape (Nova Zelândia) em dezembro de 2010, ninguém imaginava que se tratava de exemplares legítimos da baleia-bicuda-de-bahamonde. Meses depois, graças a uma análise rotineira de DNA, cientistas descobriram a verdadeira “identidade” dos dois animais.

“Esta é a primeira vez que essa espécie foi vista ‘completa’, e nós tivemos sorte de encontrar duas espécimes”, destaca Rochelle Constantine, da Universidade de Auckland (Nova Zelândia). Os resultados da análise só foram publicados recentemente. Mesmo com os dois raros exemplares em estudo, pouco se sabe sobre essa espécie – e o motivo pelo qual ela fica “escondida” permanece um mistério. “Pode ser que elas sejam simplesmente animais que vivem em alto-mar e em águas profundas, raramente encalhando em praias”, sugere Constantine. Como esse golpe de sorte só aconteceu depois de 140 anos desde a descoberta da espécie, provavelmente não veremos outro exemplar tão cedo.

(iii) O governo de Moçambique anunciou a criação da maior reserva ambiental da vida marinha da África, com 10,4 mil km² de áreas protegidas nos arredores de um conjunto de dez ilhas no litoral do país, conhecido como Arquipélago das Primeiras e Segundas. A informação foi divulgada no dia 6 de novembro pela organização ambiental WWF. O conjunto de ilhas é pouco habitado, mas é rico em vida marinha e tem águas frias, com grande quantidade de nutrientes, segundo a organização, que afirma atuar há oito anos no arquipélago com conservação de vida marinha. As ilhas abrigam várias espécies de tartarugas, como a Chelonia mydas, a Eretmochelys imbricata e a Caretta caretta. Além disso, foram identificados mais de 30 mil ninhos de pássaros importantes da fauna local, segundo a WWF. Grupos de baleias são vistos frequentemente nos arredores do arquipélago, ainda de acordo com a organização. “É um passo importante no esforço para alcançar a conservação dos animais e o manejo sustentável dos recursos marinhos e costeiros de Moçambique”, disse o diretor da organização em Moçambique, Florêncio Marerua, em entrevista ao site da WWF.

(iv) Cientistas descobriram uma espécie nova de esponja (Chondrocladia lyra) no fundo do oceano, a cerca de 3,5 mil metros de profundidade. Com hábitos carnívoros e formato incomum, ela recebeu o nome de “esponja-harpa” porque lembra o instrumento musical. Os pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey, nos Estados Unidos, usaram dois robôs operados remotamente para encontrar a espécie, avistada na costa da Califórnia. Duas “esponjas-harpa” foram coletadas e outras dez foram observadas, dizem eles.

O estudo foi publicado no periódico Invertebrate Biology, na edição de outubro. Para se fixar nas profundezas oceânicas, as esponjas usam estruturas parecidas com raízes, dizem os cientistas. Elas são formadas por ramos horizontais, chamados pelos pesquisadores de “palhetas”, que dão suporte a uma série de ramificações que crescem verticalmente. Estas esponjas são predadoras do fundo do mar, disseram cientistas ao site do instituto de pesquisa. Elas capturam pequenos animais, como camarões, peixes e outros crustáceos, que passam pelos “ramos” da esponja levados pelas correntezas oceânicas. “Elas possuem ganchos farpados que cobrem suas ramificações e prendem os animais. Uma vez que o animal foi preso, a esponja o envolve com uma pequena membrana, e lentamente começa a digeri-lo”, dizem os pesquisadores no site do instituto.

(v) Cientistas descobriram que uma espécie de coral envia “avisos químicos” para peixes para que eles devorem algas tóxicas, que causam danos a barreiras de corais e podem ameaçar a espécie. A pesquisa, realizada pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, foi publicada no site da revista “Science” no dia 8 de novembro. O crescimento excessivo de certos tipos de algas é um problema para os corais e ocorre devido a várias situações, como a diminuição da população de peixes no mar e as mudanças climáticas, afirmam os cientistas. Liberando substâncias químicas na água, os corais da espécie Acropora nasuta “recrutam” peixes de duas espécies (Gobiodon histrio e Paragobiodon enchinocephalus) que estejam próximos para que eles devorem as algas. Isso reduz danos que poderiam ocorrer às barreiras de corais, segundo a pesquisa. A liberação da substância ocorre quando as algas entram em contato com os corais, aponta o estudo. A “contrapartida” é que os peixes tornam-se mais tóxicos, o que os ajuda a evitar ataques de predadores. A relação é considerada mutualística e parecida com a que existe entre formigas e árvores acácias, afirmam os pesquisadores.

(vi) Cientistas chineses começaram no dia 11 de novembro uma pesquisa para recontar a população de uma espécie de boto que está em extinção. Conhecida informalmente como “porco do rio” em mandarim, essa variação do boto-do-índico vive apenas nas águas do Rio Yang-tsé, o maior do país. A contagem mais recente, conduzida em 2006, encontrou apenas 1.800 destes animais. Para o estudo recém-iniciado, as estimativas são ainda mais baixas. “Nossa expectativa é de que haja talvez apenas mil deles, mas temos que ver qual vai ser o resultado da pesquisa”, afirmou Wang Ding, pesquisador do Instituto de Hidrobiologia da Academia Chinesa de Ciências. Apesar de não ser um alvo comum de pescadores, a espécie é ameaçada pela presença humana de duas maneiras. Por um lado, alguns botos morrem em colisões acidentais com barcos ou em acidentes de pesca. Por outro, a poluição do rio reduz a oferta de alimentos. Segundo estimativas do WWF, que também participa do estudo, a espécie pode ser extinta em até 15 anos, caso nenhuma providência seja tomada.

(vii) Vinte e duas toneladas de um raticida especial desenvolvido nos Estados Unidos devem ser jogadas sobre as Ilhas Galápagos, no Oceano Pacífico, para tentar matar dezenas de milhões de ratos que ali vivem atualmente. Os roedores são espécie exótica invasora, e ameaçam as aves e os répteis endêmicos que o arquipélago equatoriano abriga, pois se alimentam de seus ovos e filhotes. O Serviço do Parque Nacional de Galápagos, responsável pela operação, informa que as iscas com veneno são pequenos cubos azuis que não atraem outros animais além dos ratos. Por conterem um forte anticoagulante, os animais devem secar ao morrer, e se desintegrar em cerca de uma semana. Os ratos chegaram às Galápagos trazidos por embarcações a partir do século 17. Atualmente, há áreas onde se calcula haverem cerca de dez desses animais por metro quadrado. A desratização começou no dia 15 de novembro, segundo a agência Associated Press. Trata-se da segunda fase de uma iniciativa começada em 2011.

Por sua vez, cientistas britânicos se preparam para realizar na Geórgia do Sul, uma remota ilha pertencente ao Reino Unido e localizada no Atlântico Sul, uma histórica erradicação de ratos-marrons, com objetivo de preservar o ecossistema local, principalmente aves como o pinguim. A missão, que deve começar em fevereiro de 2013 e durar quatro meses, consiste em espalhar 270 toneladas de iscas envenenadas por 360 km² da ilha. Segundo a imprensa internacional, o trabalho será feito com a ajuda de helicópteros. A Geórgia do Sul é lar de nove espécies de pinguins que nidificam (chocam ovos) em ninhos construídos no chão, além de aves marinhas como albatroz e o mandrião. Os ratos, que ainda vivem praticamente isolados na região, são uma ameaça à biodiversidade, já que podem matar os filhotes e comê-los vivos, de acordo com os cientistas.

(viii) A associação de defesa dos direitos dos animais Peta anunciou no dia 13 de novembro que oferece mil dólares de recompensa por qualquer informação que permita a captura de funcionários de uma plantação de palmeiras acusados de envenenar três elefantes, animais ameaçados de extinção na Indonésia. "A Peta oferece uma recompensa de 10 milhões de rúpias (pouco mais de mil dólares) por qualquer ajuda que permita colocar a disposição judicial os assassinos de elefantes", anuncia um comunicado da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals). O vice-presidente da ONG na Ásia, Jason Baker, disse que se os animais foram envenenados, como sugerem os primeiros indícios da investigação, eles “sofreram uma morte lenta e atroz”. Os elefantes de Sumatra são considerados em risco de extinção. Na foto, carcaça de elefante na Indonésia morto por envenenamento.

(ix) O Vietnã ameaça fechar o Parque Nacional TamDao, usado para abrigar ursos feridos por caçadores ilegais. Oficialmente, pedido veio do Ministério da Defesa, que diz que a área é estratégica do ponto de vista militar. No entanto, ambientalistas que trabalham no local não se convencem com o argumento. Segundo grupos de defesa dos animais, haveria por trás interesses de investidores, que querem transformar o local em um destino para o ecoturismo. “Não importa se as florestas estão protegidas ou não (…), o setor privado vai tentar ficar cada vez mais rico”, acusou Trinh Le Nguyen, diretor-executivo do grupo Reconciliação entre Pessoas e Natureza. A caça ilegal de ursos é comum na região porque a bile desses animais tem valor no mercado negro da Ásia. Nos países da região – sobretudo na China – a substância é usada como um remédio para o tratamento de febres e inflamações. A bile é retirada com o animal vivo, mas o processo é doloroso e costuma deixar sequelas nos animais. O Vietnã é um dos países mais importantes do mundo em termos de biodiversidade. Com menos de 1% da área de toda a terra do planeta, ele abriga em sua natureza cerca de 10% das espécies existentes.

(x) Cientistas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, produziram um estudo que detalha a biologia do animal que afirmam ser aquele com o maior número de patas no planeta, da espécie lllacme plenipes. Pertencente à classe Diplopoda, o animal é um “parente” da centopeia e é encontrado nos EUA, de acordo com a pesquisa. A anatomia e os hábitos do animal foram descritos em estudo publicado no periódico “ZooKeys”, no dia 14 de novembro. As fêmeas da espécie chegam a ter 750 patas, e os machos, 562 patas, segundo os cientistas. O estudo sugere que o grande número de patas é uma adaptação à vida subterrânea e que pode ser útil para que os animais subam em pedras de arenito, que costumam ser encontradas no seu habitat natural, ao sul de San Francisco, na Califórnia, nos EUA.

Os animais da classe Diplopoda, também conhecidos como milípedes, possuem dois pares de patas por segmento do corpo. O grande número de patas permite que os animais se enterrem mais facilmente, o que é usado para escapar de predadores ou alcançar alimentos, de acordo com os pesquisadores. A espécie Illacmeplenipes é pequena e rara, limitada a alguns locais próximos à cidade de San Juan Bautista, ao sul de San Francisco. A pesquisa detalha que os animais produzem seda através de pelos corporais e que possuem antenas reforçadas, o que é incomum neste tipo de ser. Elas servem para obter informações do ambiente, já que o milípede é cego. “Esta espécie rara é a única representante de sua família no hemisfério ocidental. Seu ‘parente’ mais próximo, da espécie Nematozoniumfilum, vive na África do Sul e estabeleceu relação com esta espécie há 200 milhões de anos atrás”, disse o pesquisador Paul Marek, responsável pelo estudo.

(xi) As savanas da África e os leões que vivem ali estão desaparecendo a um ritmo alarmante, com uma redução de dois terços nos últimos 50 anos, segundo estudo publicado no dia 04 de dezembro. Usando informações obtidas via satélite, pesquisadores da Universidade Duke descobriram que apenas 32 mil leões vivem agora nas savanas do continente, em comparação os os cerca de 100.000 que habitavam ali em 1960. A redução foi particularmente extrema na África ocidental, onde as populações humanas dobraram nas últimas três décadas, segundo estudo publicado na revista Biodiversit and Conservation. A pesquisa sustenta que menos de 500 leões permanecem na região. "Só resta 25% de um ecossistema que antes era um terço maior do que o território continental dos Estados Unidos", disse Stuart Pimm, da Escola Nicholas de Meio Ambiente da Universidade de Duke.

O cientista explicou que a queda se devia à mudança no uso do solo e o desmatamento realizada pela crescente população humana que invade o hábitat dos leões. Pimm e seus colegas mapearam as áreas que ainda são favoráveis para a sobrevivência dos leões mediante a utilização de imagens via satélite do Google Earth, informação sobre a densidade da população humana e estimativas sobre a população de leões. Os pesquisadores descobriram que apenas 67 extensões de savana ao longo do continente, definidas como áreas que recebem entre 25 e 150 centímetros de chuva anual, tem densidade populacional e impacto humano suficientemente baixos para permitir a vida dos leões. Por outro lado, apenas 10 destas áreas são consideradas "fortalezas", onde os leões têm chances excelentes de sobreviver, muitas delas em parques nacionais.

 
 

Saiba mais sobre espécies recém-descobertas ou ameaçadas de extinção (2)

 

(xii) Animal considerado criticamente em risco pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), o tigre-de-Sumatra pode se tornar o primeiro grande predador a desaparecer no século 21, informou a organização ambiental WWF para agências internacionais. Há somente 250 exemplares selvagens do tigre, da espécie Panthera tigris sumatrae, de acordo com a WWF. Na década de 1970, mais de mil felinos deste gênero eram encontrados na natureza, informou a organização para agências internacionais. A espécie é natural da Ilha de Sumatra, na Indonésia, e é encontrada em uma área de 88,3 mil km², segundo a IUCN.

(xiii) A Austrália criou oficialmente no dia 16 de novembro, uma rede de reservas marinhas que protege mais de 2,3 milhões de km² de oceano ao redor do país, apesar da ira do setor pesqueiro, que teme redução de postos de trabalho e prejuízos às comunidades costeiras. O sistema de proteção, já considerado o maior do mundo, conta com seis regiões marinhas e terá o objetivo de preservar animais ameaçados de extinção como a baleia-azul, tartarugas-verdes, tubarões-touro e o dugongo, uma espécie de mamífero herbívoro que vive no mar. Segundo o ministro do Meio Ambiente do país, Tony Burke, os oceanos estão seriamente ameaçados e, por isso, ações para restaurar a saúde dos mares têm de ser feitas, entre elas, a criação de parques nacionais.

Em outubro, a Austrália admitiu sua negligência na preservação da Grande Barreira de Corais após a publicação de estudo revelando que o ecossistema perdeu mais da metade de seus corais em apenas três décadas, resultado de tempestades, depredação e aquecimento das águas (consequência da mudança climática). O anúncio do governo provocou reclamações do setor pesqueiro. Segundo representantes, ao menos 60 comunidades costeiras vão ser afetadas pela nova reserva e a indústria teme perder 36 mil postos de trabalho distribuídos em até 80 empresas. Em maio, a revista especializada “Biology” publicou investigação científica afirmando que áreas de preservação e perímetros ao redor delas permitem a reconstituição progressiva da biodiversidade – uma teoria que sempre foi criticada pela indústria da pesca.

(xiv) Um grupo de pesquisadores liderado pelo brasileiro Pedro Peloso, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, descobriu uma nova espécie de minissapo em uma restinga no Parque Estadual Paulo César Vinha, na região litorânea de Guarapari (ES). Os adultos medem cerca de 15 milímetros de comprimento e são da mesma família dos populares sapos-cururu, apesar de não terem as glândulas de veneno que caracterizam esse grupo. O animal ganhou o nome de Melanophryniscus setiba, já que a região onde o bicho vive também é conhecido como “Restinga de Setiba”. Peloso, que atualmente faz doutorado em Biologia, explica que a descrição da espécie foi um processo demorado, que começou em 2005, quando ainda era estudante de graduação. “Por se tratar de um bicho bem distinto, foi difícil de alocar ele num gênero. Por isso foi necessário fazer uma análise de DNA”, conta. Também foi feita uma série de análises da anatomia interna do anfíbio.

O sapinho possui coloração amarronzada que dificulta sua observação no ambiente natural. Ele vive no chão da floresta, entre as folhas. Para poder estudá-lo, a saída foi instalar baldes no chão para que exemplares caíssem dentro, técnica comum para esse tipo de pesquisa. “As restingas são ambientes altamente ameaçados, principalmente pela expansão imobiliária e ocupação desordenada das praias. A descoberta dessa nova espécie serve de alerta para a urgência de mais estudos e preservação das restingas”, diz o pesquisador. A identificação da nova espécie, publicada no periódico “American Museum Novitates,” foi possível graças à colaboração do Museu Americano de História Natural de Nova York, do Museu Argentino de Ciências Naturais, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

(xv) Cientistas na Austrália afirmam que conseguiram descobrir os mistérios da reprodução do mamífero que põe ovos, a equidna. As equidnas são criaturas que se alimentam de formigas e outros insetos e podem viver até 20 anos. Até hoje, imaginava-se que a reprodução em cativeiro era impossível. Os pesquisadores passaram os últimos seis anos estudando a reprodução da espécie e como eles criam os filhotes. O objetivo é aplicar o que aprenderam para preservar outros mamíferos parecidos e ameaçados. Equidnas só existem na Austrália e em regiões próximas. Os cientistas não sabiam muito sobre elas e, por isso, vigiaram os animais com câmeras para ver como se reproduzem. Ainda não se sabe o sexo dos filhotes, os órgãos reprodutivos são internos. Um ultrassom, no futuro, vai descobrir mais este mistério.

(xvi) A morte, há cinco meses, de George Solitário, uma tartaruga gigante das ilhas Galápagos, não representou a extinção de sua espécie, como se acreditava, apontou um estudo que descobriu genes deste exemplar em 17 indivíduos, informou no dia 19 de novembro a direção da reserva natural equatoriana. A morte do quelônio, em 24 de junho, “não representa o fim da espécie de tartarugas gigantes (Chelonoidis abingdonii) da ilha Pinta”, de onde era originário Jorge, destacou a Direção do Parque Nacional de Galápagos (DNPG), em um comunicado.

Segundo o informe, uma pesquisa realizada em conjunto com a universidade americana de Yale “demonstra a existência de 17 tartarugas com ascendência da ilha Pinta, que habitam o vulcão Wolf, da ilha Isabela”. “O estudo identificou nove fêmeas, três machos e cinco jovens com genes da espécie de tartarugas gigantes da ilha Pinta, depois de analisar mais de 1,6 mil amostras coletadas no ano 2008 no vulcão Wolf”, destacou a DNPG. De acordo com os cientistas, a “descoberta marca o primeiro passo rumo à recuperação da espécie Chelonidis abingdonii, por meio de um programa de reprodução e criação em cativeiro, opção que é avaliada pela DPNG”. George, uma tartaruga centenária, era considerado o último representante de sua espécie e sua morte por causas naturais ocorreu após décadas de esforços científicos para conseguir a sua reprodução.

(xvii) Durante oito anos, o ornitólogo Ed Scholes e o fotógrafo Tim Laman realizaram 18 expedições para florestas remotas da Papua-Nova Guiné, pequena ilha da Oceania, onde conseguiram documentar 39 espécies de aves-do-paraíso que vivem na região. Coloridas e com diversos tamanhos (podem medir entre 15 centímetros e 1,20 metro), esse gênero de aves habita zonas de floresta tropical e manguezais. Atualmente, já foram descobertas mais de 40 espécies diferentes. Os pesquisadores conseguiram estudar os pássaros de diversas formas: gravando áudios dos diferentes sons cantos e registrando imagens do cotidiano das aves na vida selvagem. Existem espécies desse gênero que já são consideradas ameaçadas de extinção, segundo a lista vermelha da União Internacional pela Conservação dos Animais (IUCN).

(xviii) As pessoas estão acostumadas a receber pedidos para ajudar a salvar animais simpáticos como pandas. Mas o que acontece com a preservação daqueles com aparência mais estranha? Um projeto (Evolutionarily Distinctand Globally Endangered - EDGE) organizado pela Sociedade Zoológica de Londres pretende chamar atenção para criaturas menos apreciadas. Através de seu portal eletrônico, as pessoas podem fazer doações para auxiliar na manutenção desta criaturas negligenciadas. No site é possível encontrar as espécies mais ameaçadas classificadas em grupos de anfíbios e mamíferos. Além disso, há informações esclarecendo as ameaças e as conservações necessárias de cada um.

(xix) Um traficante tailandês que dirigia uma rede de exportação fraudulenta de chifres de rinocerontes procedentes da caça ilegal foi condenado no dia 9 de novembro a 40 anos de prisão por um tribunal sul-africano, informou a agência EWN. Chumlong Lemtongthai, 44 anos, vendia os chifres no mercado negro da tradicional medicina asiática. A caça de rinocerontes é autorizada na África do Sul, mas a permissão concedida é difícil de se obter e está limitada aos caçadores afiliados a uma associação registrada. Além disso, durante a caça, os caçadores devem ser acompanhados por guardas dos parques. As exportações também são limitadas e controladas. A dura condenação reflete a preocupação que existe no país pela explosão do tráfico de chifres de rinoceronte. Nos parques abertos a turistas, a caça ilegal virou uma atividade muito lucrativa e, entre janeiro e outubro deste ano, 488 rinocerontes foram mortos ilegalmente. Os chifres são muito procurados pela medicina tradicional asiática por suas supostas propriedades curativas. A peça é composta por queratina, como as unhas dos humanos, e não possui nenhuma propriedade medicinal reconhecida pela ciência.

(xx) O artigo “The global diversity of birds in space and time” publicado na revista Nature apresenta o resultado de um projeto ambicioso de um grupo internacional de cientistas: um mapa evolutivo das 9.993 espécies de aves conhecidas. Utilizando dados de DNA, os cientistas teriam conseguido mostrar as relações evolutivas entre as diversas espécies. “Construímos verdadeira árvore demonstrando a evolução das aves. Utilizamos fósseis e dados genéticos para estimar as idades de todos os diferentes ramos de aves e conseguimos analisar a diversidade acumulada no tempo”, afirmou o coautor Gavin Thomas, da Universidade de Sheffield. “Esta é a primeira ‘árvore da vida’ para uma classe desse tamanho a ser colocada em um mapa global”, reforçou o coautor WaterJetz, biólogo evolucionista da Universidade de Yale.

Entretanto, muitos duvidam que o mapa esteja inteiramente correto, uma vez que não existem dados genéticos de todas as espécies. “É um conceito brilhante. Porém, foram utilizados artifícios para compensar o fato de que quase 30% das espécies de aves nunca foram geneticamente mapeadas”, destacou Trevor Price, biólogo evolucionista da Universidade de Chicago, em entrevista para a Nature. Os autores confirmam que para 3.330 espécies não existem informações genéticas. Assim, para saber onde colocar cada uma delas na árvore, eles utilizaram outros fatores, como a similaridade com espécies com dados genéticos conhecidos. “Com certeza algumas coisas mudarão no mapa quando novas informações forem descobertas, mas não consigo imaginar nenhuma alteração radical. Esperamos que nossa iniciativa ajude no entendimento definitivo da ‘árvore da vida’ das aves”, disse Jetz.

(xxi) A elaboração do Plano de Ação Nacional (PAN) das Espécies de Aves Ameaçadas de Extinção da Amazônia coordenado pelo Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMBio) esteve em foco, entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro, no município de Iperó (SP), contando com a presença de várias instituições brasileiras de pesquisa. O Plano de Ação segue um roteiro metodológico estabelecido pelo ICMBio em colaboração com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e busca pactuar iniciativas de conservação entre instituições, levando-se em consideração as ameaças e oportunidades de proteção para as espécies. O processo objetiva o estabelecimento de compromissos e responsabilidades das instituições para a redução das ameaças sobre as espécies.

De acordo com a gerente de Proteção à Fauna, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) do Pará, Nívia Pereira, a principal ameaça detectada é a perda de habitat, através de desmatamento, queimadas, conversão de floresta em pasto e agricultura. Das 46 espécies listadas por pesquisadores como ameaçadas de extinção na Amazônia, mais de 50% dos casos estão presentes no Centro de Endemismo Belém – com área em torno de 243 mil km², que abrange 62 municípios no Pará e 85 do Maranhão. “A região está bastante degradada e caso não sejam executadas ações para conter os efeitos desta acelerada degradação, muitas espécies serão extintas e todo o efeito ecológico benéfico gerado por estas espécies será perdido”, atesta a pesquisadora.

(xxii) Cientistas dos Estados Unidos descobriram cinco espécies de peixes que vivem em água doce e batizaram os novos animais com nomes de quatro presidentes e um vice-presidente do país. Os peixes do gênero Etheostoma foram encontrados vivendo nas águas do Tennessee, Missouri, Arkansas, Kentucky, Kanas e Oklahoma. Eles foram batizados de E. teddyroosevelt, E. jimmycarter, E. clinton, E. gore e E. Obama. Os nomes são referências aos presidentes Teodhore (Teddy) Roosevelt, Jimmy Carter, Bill Clinton e Barack Obama, além do vice-presidente do governo Clinton, Albert Gore, mais conhecido com Al Gore. Segundo os especialistas, tais políticos promoveram de alguma forma a conservação e proteção ambiental nos EUA. De acordo com os pesquisadores do Departamento de Biologia da Universidade Saint Louis, essas espécies são encontradas apenas na América do Norte e são conhecidas por ter escamas multicoloridas. Os cientistas esperam que, ao batizar os peixes com nomes “presidenciáveis”, consigam divulgar a necessidade de reconhecer a conservação da biodiversidade do país.

(xxiii) A população mundial total de gorilas da montanha aumentou para 880, de acordo com dados divulgados pela Autoridade de Vida Selvagem de Uganda. Os gorilas da montanha, uma subespécie do leste africano, vivem em apenas dois lugares em todo o mundo: na região montanhosa de vulcões extintos de Virunga, nas fronteiras entre a República Democrática do Congo, Uganda e Ruanda, e no Parque Nacional Impenetrável de Bwindi, no sudoeste de Uganda. “Os gorilas da montanha são os únicos primatas de grande porte que experimentam um aumento populacional. Isto se deve em grande parte aos intensos esforços de conservação e estratégias bem-sucedidas de engajamento com a comunidade”, diz David Greer, gerente do Programa de Grandes Primatas do WWF.

A ameaça mais recente à população dos gorilas foram armadilhas de caçadores. Um programa de treinamento está em curso para ensinar guardas florestais novos métodos de detecção e remoção de armadilhas instaladas para outros animals, mas que podem ferir gravemente os gorilas. “Ao menos sete gorilas da montanha de Virunga foram pegos em armadilhas neste ano e dois não sobreviveram”, diz Geer. De acordo com o WWF, “nos cem anos desde a sua descoberta, o gorila da montanha tem enfrentado a caça descontrolada, guerra, doenças, destruição de seu habitat de floresta e captura para tráfico ilegal de animais. Estes fatores levaram a um declínio dramático dos números”. 

Graças aos esforços de conservação, a população dos gorilas da montanha aumentou de 620 em 1989 para 880 hoje em dia (em 2003, eles eram apenas 380). Os gorilas são muito sociáveis e moram em grupos bem integrados. O censo indica que os 400 gorilas da montanha do Parque Nacional Impenetrável de Bwindi formam 36 grupos distintos. O Censo dos Gorilas da Montanha de Bwindi foi realizado pela Autoridade de Vida Selvagem de Uganda, com apoio do Instituto Congolês para a Conservação da Natureza e o Escritório de Desenvolvimento de Ruanda.

Ecologistas lutam para que se deixe de comer chimpanzés, em Uganda

Conservacionistas que se esforçam para proteger a população remanescente de chimpanzés em Uganda, na África, estão preocupados porque pessoas que vivem perto das reservas de biodiversidade, no oeste do país, os matam para comer sua carne. “Não pensávamos que os ugandenses estivessem consumindo carne de chimpanzé, mas começamos a observar que estão comendo chimpanzés e outros macacos. Isto assusta, pois a ameaça à sua sobrevivência aumentou”, disse Lily Ajarova, que administra o Santuário de Chimpanzés de Ngamba, na ilha de mesmo nome no Lago Victoria, na região de Albertine Rift.

Este santuário, onde vivem 48 primatas resgatados do cativeiro, foi criado com a ajuda do Instituto Jane Goodall e é administrado pelo Santuário de Chimpanzés e pela Wildlife Conservation Trust. Há décadas, dezenas de milhares de chimpanzés perambulavam pelas densas florestas tropicais que então cobriam um vasto trecho da região de Albertine Rift. A área cobre a parte ocidental do Grande Vale do Rift, desde o noroeste de Uganda até o extremo sudoeste, ao longo da fronteira com a República Democrática do Congo.

Entretanto, segundo o Fundo Mundial para a Natureza, os chimpanzés já desapareceram de boa parte dos países africanos ou estão à beira da extinção, em boa parte devido ao desmatamento e à caça ilegal para se ter sua carne. Estima-se que atualmente existam apenas cinco mil exemplares em Uganda, segundo funcionários da área de conservação. A maioria dos que restam no país está protegida em seis reservas de caça e florestais na região de Albertine Rift, enquanto os outros estão em florestas de propriedade privada.

Ajarova disse que, apesar de há dois anos sua equipe de conservacionistas notar pela primeira vez que havia gente que comia carne de primatas no oeste de Uganda, os que incorriam nessa prática eram principalmente imigrantes ou refugiados da vizinha República Democrática do Congo. Era incomum os ugandenses comerem essa carne, destacou.

“Há muitas outras partes do mundo em que se come carne de primatas, mas isto não acontecia em Uganda. Com o passar do tempo começamos a testemunhar essa prática, que se desenvolve lentamente, da qual nos inteiramos quanto estivemos no lugar há dois anos”, disse Ajarova, acrescentando que agora é “um problema emergente”. A recente chegada de imigrantes da República Democrática do Congo mudou o equilíbrio demográfico da área e impactou na cultura local, observou.

Em julho, o ministro de Alívio, Preparação para Desastres e Refugiados, Musa Ecweru, disse que Uganda estava se esforçando para alimentar a grande quantidade de pessoas que fugiam dso combates na província congolesa de Kivu do Norte. Estima-se que no ocidente de Uganda há 16 mil refugiados congolenses. “Na área há muitos refugiados congolenses, e eles podem ter influído na população local para que comesse macacos e chimpanzés”, opinou Ajarova.

“Isto não foi parte da cultura ugandense no passado, mas agora está se tornando um problema. Descobrimos que agora esse hábito está estendido por toda a região ocidental. Acontece em quase todas as aldeias que visitamos. De vez em quando vemos aldeões carregando esqueletos de macacos e, às vezes, de chimpanzés”, disse Ajarova.

Os funcionários também acreditam que as pessoas passaram a comer primatas porque a região de Albertine Rift está devastada pela pobreza e seus habitantes dependem principalmente dos recursos florestais para sobreviver, já que não podem se dar o luxo de comprar carne. Os especialistas se preocupam que a nova tendência possa causar um surto de ébola, uma febre hemorrágica frequentemente fatal, que se acredita ser passada aos seres humanos pelo contato com animais infectados.

“É um problema sério. Toda carne que se come tem que passar por uma adequada inspeção veterinária, mesmo sendo de fazendas. As pessoas que ingerem carne de primatas correm o risco de contrair zoonoses, entre elas o éloba”, disse o diretor executivo da Autoridade da Natureza de Uganda, Andrew Seguya. “Não há nenhuma tribo ugandense que tradicionalmente coma carne de primata, mas há muitos refugiados congolenses nessa área e eles podem ter difundido o hábito entre os moradores locais”, afirmou.

“O ébola se propaga pelo contato direto, e acredita-se que estes primatas sejam portadores da doença e possam transmiti-la a seres humanos por outras vias, como a matéria fecal. Inclusive há uma escola de pensamento que afirma que a aids pode ter sido transmitida por primatas”, disse Seguya, que é cirurgião veterinário. O distrito de Kibaale foi afetado por uma suposta epidemia de ébola em julho. Funcionários da saúde ainda não confirmaram que se trata mesmo dessa doença. Mas, segundo a imprensa, morreram 17 pessoas.

Enquanto isso, Ajarova disse que são feitos esforços para mudar as atitudes das pessoas quanto ao consumo de carne de primata, mediante programas educativos e de projetos para criação de animais entre os aldeões. “Falamos para as pessoas que deixem de comer carne de primatas, informando-os que é perigoso para a saúde, podendo contrair o ébola. Esta é uma das principais mensagens em nossos programas educativos”, explicou Ajarova. “Também usamos rádio FM para transmitir mensagens conservacionistas às comunidades. Estas chegam a um grande público ao mesmo tempo”, acrescentou.

 
 

Iniciativas procuram analisar danos climáticos aos corais

 

Os corais estão entre os ecossistemas mais ricos e, infelizmente, entre os mais vulneráveis do planeta. Devido à grande quantidade de espécies que dependem deles, cientistas de todo o mundo estão preocupados com os possíveis impactos das mudanças climáticas sobre as barreiras de corais.

Um dos estudos mais recentes, que está sendo desenvolvido na Austrália e na Arábia Saudita – na Grande Barreira de Corais e no Mar Vermelho, respectivamente – foi iniciado no dia 8 de novembro e visa mapear o genoma destes ecossistemas para aprender mais sobre a resiliência dos corais e prevenir uma destruição ainda maior do que a que já pode ser observada. O projeto de sequenciamento genético, chamado de Sea-quence, fará a análise dos genomas de dez espécies de corais e usará a informação para buscar formas de proteger os recifes do aquecimento global.

“As mudanças climáticas põem os recifes de coral em risco através de temperaturas da água mais quentes e oceanos mais acidificados”, explicou John Schubert, presidente da Fundação Grande Barreira de Corais. “Infelizmente nosso conhecimento sobre a resiliência dos corais, sua capacidade de se adaptarem e as circunstâncias sob as quais eles podem se adaptar às mudanças climáticas é limitado. Através do Sea-quence podemos começar a abrir caminho para esse conhecimento essencial através da geração de dados em larga escala em toda a Grande Barreira de Corais e o Mar Vermelho”, acrescentou Schubert.

Segundo Russell Reichelt, presidente da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, atualmente apenas duas espécies de corais no mundo têm seu DNA sequenciado. “Esse projeto de pesquisa sequenciará os genomas de dez espécies de corais – fornecendo cinco vezes mais dados do que os atualmente disponíveis e identificando quais genes ajudam os corais a se adaptarem às mudanças climáticas, e quais espécies contêm esses genes.”

De acordo com os cientistas, presentemente estes dois recifes, em especial o do Mar Vermelho, enfrentam graves problemas de degradação, como o branqueamento – causado pela acidificação oceânica – e a destruição devido à maior incidência de desastres naturais, como tempestades e ciclones. “Os corais do Mar Vermelho vivem em condições extremas comparados aos da Grande Barreira de Corais e informações comparativas entre eles ajudarão a melhorar nosso entendimento sobre como e por que alguns corais são mais resilientes”, comentou Xabier Irigoyen, diretor do Centro de Pesquisa do Mar Vermelho da Universidade king Abdullah de Ciência e Tecnologia.

A outra pesquisa, que está sendo realizada nas ilhas de Galápagos, tem como objetivo descobrir como os recifes da região estão respondendo às mudanças climáticas, e por que alguns deles estão conseguindo resistir aos impactos do fenômeno, enquanto outros não estão.

O estudo, que analisou dados dos recifes de Galápagos desde 1983, quando o ecossistema foi atingido por eventos climáticos do El Niño e 90% dos corais foram mortos, descobriu que, desde então, algumas partes do recife conseguiram se recuperar, enquanto outras não. “Galápagos ofereceu um laboratório de campo único para nos ajudar a entender melhor como os extremos de temperaturas e a crescente acidificação afetarão a sobrevivência e crescimento dos recifes de coral no futuro”, declarou Andrew Bruckner, cientista chefe da expedição que analisou os recifes. No geral, os pesquisadores descobriram sinais de recuperação em três ilhas no norte do arquipélago: Marchena, Wolf e Darwin.

“Isso é encorajador. As ilhas meridionais, no entanto, estão mostrando muito pouco em termos de recuperação em relação aos níveis pré-1983. Por outro lado, os grandes corais mais comuns eram surpreendentemente abundantes nas ilhas centrais e meridionais, mesmo não estando agregados aos recifes”, observou Peter Glynn, coautor do tratado de 1983.

Para descobrir quais as causas de tais respostas diferentes, a equipe analisou a quantidade de CO2 armazenada nas águas próximas aos corais. O que o grupo descobriu foi que, enquanto os níveis de CO2 nas ilhas setentrionais estavam cerca de 40% mais altos do que no período pré-industrial, o CO2 absorvido perto das ilhas do sul estava 50% mais alto, o que pode ajudar a explicar porque os recifes meridionais não estão se recuperando tão bem quanto os outros.

De acordo com os cientistas, ambas as pesquisas vão ajudar a entender não apenas a resposta destes determinados ecossistemas às mudanças climáticas, mas de grande parte dos recifes de corais, o que pode ajudar a identificar pontos de grande prioridade para a proteção.

 

Emissão de CO2 por plantas e solos pode exacerbar as mudanças climáticas

Cientistas da American Meteorological Society (AMS) e da Universidade da Califórnia, em Berkeley, demonstraram que as plantas e os solos podem liberar grandes quantidades de dióxido de carbono, gás estufa associado ao aquecimento global. Esta constatação contrasta com a expectativa de que as plantas e os solos absorvem dióxido de carbono e é importante porque a liberação de carbono adicional da superfície da terra poderia ser um feedback positivo potente que agravaria o aquecimento global.

O estudo intitulado “Carbon cycle uncertainty increases climate change risks and mitigation challenges” foi publicado no Journal of Climate, em novembro.

“Estamos contando com plantas e solos para absorver e armazenar grande parte do carbono que liberamos quando queimamos combustíveis fósseis”, diz Paul Higgins, um dos autores do estudo e diretor adjunto do Programa de Política da AMS, disse. “No entanto, nossos resultados sugerem a possibilidade oposta. Plantas e os solos poderiam reagir ao aquecimento com a liberação de dióxido de carbono adicional, aumentando as concentrações de gases de efeito estufa, levando ao aquecimento do clima a um patamar ainda maior.”

A equipe de investigação usou um modelo de computador da superfície terrestre do planeta, para examinar como o armazenamento de carbono poderia reagir a um planeta mais quente, com altas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera. O delineamento experimental ajuda a determinar a amplitude possível no futuro do armazenamento de carbono terrestre.

Os resultados indicaram que a gama potencial de resultados é vasto e inclui a possibilidade de que a resposta de plantas e do solo, ao aquecimento causado pelo homem, poderia provocar uma grande liberação adicional de carbono. Se esse resultado for confirmado, um determinado nível de emissões humanas podem resultar em mudanças climáticas muito maiores do que os cientistas atualmente estimam. Também significaria que maiores reduções nas emissões de gases de efeito estufa poderia ser necessária para garantir que as concentrações de dióxido de carbono estabilizem em níveis considerados seguros para o sistema climático.

Estes resultados podem representar desafios adicionais para a gestão de riscos das mudanças climáticas. Reconhecendo esses desafios, os tomadores de decisão terão uma chance maior de gerir os riscos da mudança do clima de forma mais eficaz.

Diversos estudos apontam aumento de gases de efeito estufa na atmosfera

Os governos são lentos. As negociações climáticas engatinham. Ações nacionais são pontuais e esporádicas. Estes problemas já são bem conhecidos de quem acompanha o noticiário sobre as mudanças climáticas, mas não é sempre que é possível provar estes fatos com números. Este é o grande mérito do Low Carbon Economy Index 2012, elaborado pela consultoria PwC, e que traz o grave alerta de que a meta recomendada por cientistas de se manter o aquecimento global em menos de 2ºC está praticamente impossível de ser alcançada. Ao invés disso, os compromissos assumidos até agora pelos líderes mundiais apontam que até o fim deste século estaremos vivendo em um planeta até 6ºC mais quente.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC), uma elevação dessa magnitude nas temperaturas significa o aumento dramático da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, a extinção de milhares de espécies e drásticas transformações no nosso modo de vida.

“A realidade é muito mais desafiadora do que se pensava. Mesmo dobrando nossas atuais metas de descarbonização, ainda assim veríamos uma aquecimento de 6ºC em 2100. Parece altamente improvável que os governos consigam realmente manter o limite de 2ºC”, afirmou Jonathan Grant, diretor de sustentabilidade da PwC. Para alcançar os 2ºC, a consultoria afirma que seria preciso reduzir a intensidade de carbono na economia mundial em 5,1% ao ano durante os próximos 39 anos, algo que jamais foi realizado. Mesmo com um ano marcado pela crise internacional, que resultou na queda da produção industrial, a descarbonização da economia não foi muito significativa em 2011.

“Constatamos que em 2011 a intensidade de carbono caiu apenas 0,7%. É muito pouco e muito tarde. Não se trata de alarmismo, é uma questão de matemática. Estamos nos encaminhando para um território desconhecido, no qual não sabemos que tipo de transformações e inovações tecnológicas serão necessárias. De qualquer forma, vale destacar que continuar com o modelo atual (business as usual) não é uma opção válida”, declarou Leo Johnson, do departamento de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas da PwC.

Em 2011, os países europeus foram os que registraram as maiores quedas em sua intensidade de carbono, com Reino Unido, Alemanha e França apresentando uma redução maior do que 6%. Mas a principal razão para isso foi o inverno ameno, que reduziu o consumo de energia, e, é claro, a crise econômica que assola o continente. Já os Estados Unidos apresentaram uma queda de 3,9%, também graças ao inverno com temperaturas altas e ao investimento na geração de energia com gás natural. A PwC sugere que o cenário futuro norte-americano é promissor, principalmente se a nova legislação de eficiência de combustível para automóveis for posta em prática.

A Austrália aparece como a grande vilã do índice, com um crescimento de 6,7% em sua intensidade de carbono em 2011 e um aumento de 8,7% nas emissões relacionadas ao setor de energia devido ao uso contínuo de termoelétricas à carvão. Os países emergentes também não aparecem muito bem. A China e a África do Sul seguem possuindo uma relação entre carbono e PIB altíssima, com, respectivamente, 754 tC02/2011$m e 781 tC02/2011$m. A líder neste quesito é a Arábia Saudita, com 817 tC02/2011$m.

O Brasil se destaca positivamente nesta relação, com apenas 197tC02/2011$m graças à sua matriz hidrelétrica. O país apresentou em 2011 uma queda de 1% em sua intensidade de carbono, porém o percentual relacionado com a geração de energia aumentou em 1,7%. Durante a última década, a média brasileira foi de uma redução de 0,7% e a taxa anual necessária para até 2050 é estimada em -4,1%.

Em 13 de novembro, o Instituto de Energia Renovável da Alemanha (IWR), que fornece consultoria para ministérios daquele país, também publicou um informe sobre esta temática, afirmando que as emissões globais de dióxido de carbono em 2011 atingiram novo recorde e subiram para 34 bilhões de toneladas, 2,5% a mais do registrado em 2010. “Se a tendência atual for mantida, as emissões mundiais de CO2 irão subir outros 20%, para mais de 40 bilhões de toneladas, até 2020″, afirmou o diretor do instituto, Norbert Allnoch.

Segundo o IWR, a China liderou a lista de países emissores em 2011, com 8,87 bilhões de toneladas de CO2, aumento em relação aos 8,33 bilhões lançados na atmosfera em 2010. A produção de dióxido de carbono na China foi 50% maior que as 6,02 bilhões de toneladas produzidas pelos Estados Unidos no ano passado. A Índia ficou em terceiro, na frente de Rússia, Japão e Alemanha. O Brasil é o 12º em emissão de CO2, segundo o ranking produzido pela IWR. O país liberou 488 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera em 2011, mais do que México (464 milhões), Indonésia (453 milhões) e África do Sul (452 milhões).

Em maio de 2012, a Agência Internacional de Energia havia afirmado que as emissões globais de CO2 cresceram 3,2% desde o ano passado. A liberação do gás na atmosfera havia subido para 31,6 bilhões de toneladas.

De acordo com análise do Global Carbon Project, co-liderada por pesquisadores do Tyndall Centre, da Universidade de East Anglia, as emissões globais de CO2 devem aumentar novamente em 2012, atingindo uma alta recorde de 35,6 bilhões de toneladas. Esta análise foi publicada no dia 02 de dezembro na revista Nature Climate Change, sob o título "The challenge to keep global warming below 2 °C".

A terceira edição do The Emissions Gap Report 2012 (algo como Relatório de Disparidade de Emissões 2012), divulgada no dia 21 de novembro, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), também demonstra que a meta de redução de emissão de gases de efeito estufa para 2020 não será cumprida. Ainda que todos os países do mundo decidam agora ser mais ambiciosos nas metas voluntárias e obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa, não será mais possível atingir o compromisso firmado em 2010, de evitar que a temperatura no mundo suba mais que 2ºC até 2020.

O relatório mostrou que a concentração de gases do aquecimento global pode ficar até 14% acima do nível definido como meta para 2020. Segundo o estudo, em vez de diminuir, a presença de gases como o dióxido de carbono está aumentando em torno de 20% na atmosfera, desde o ano 2000. De acordo com o levantamento, a distância entre a atual situação, o que os pesquisadores projetam como cenário para 2020 e o que os cientistas consideram como índices ideais, é cada vez maior.

Há dois anos, representantes de mais de 190 países se comprometeram, na África do Sul, com ações para conter o aumento da temperatura no mundo. Ao reconhecerem a necessidade de mudanças globais para minimizar problemas decorrentes das mudanças climáticas – como grandes enchentes e secas extremas, as economias concordaram em definir metas até 2015, que deverão ser colocadas em prática por todos os países signatários a partir de 2020.

Esse conjunto de metas foi chamado de Plataforma Durban e deve substituir o Protocolo de Quioto em oito anos. O acordo global, porém, segue ainda na teoria, sob ameaça de resistência ou dificuldade de países como Estados Unidos e China em modificar padrões como o da queima de combustíveis fósseis (responsável por mais de 60% das emissões dos países mais desenvolvidos). Além disso, muitas economias europeias ainda travam a definição de questões complexas, como a transferência de tecnologia e financiamento para que países mais pobres e em desenvolvimento consigam acompanhar as mudanças globais.

O estudo "Turn Down the Heat: Why a 4°C Warmer World Must be Avoided" (Diminua o calor: Por que um Mundo 4°C mais Quente Deve ser Evitado) lançado pelo Banco Mundial no dia 18 de novembro, advertiu que a temperatura global pode aumentar, até 2060, 4°C acima dos níveis do mundo pré-industrial se não forem tomadas ações imediatas. Caso isso não ocorra, deve haver consequências potencialmente devastadoras para cidades costeiras e países pobres.

A quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera atingiu um novo recorde em 2011, afirmou no dia 20 de novembro a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Entre 1990 e 2011 houve um aumento de 30% na força radioativa – o efeito do aquecimento sobre o clima – por causa do dióxido de carbono (CO2) e outros gases que retêm o calor de longa duração. Somente o dióxido de carbono já chega a 390,9 partes por milhão na atmosfera.

Desde o início da era industrial, em 1750, cerca de 375 bilhões de toneladas de carbono foram liberados na atmosfera como o CO2, provenientes principalmente da queima de combustíveis fósseis, de acordo com o boletim anual da OMM, que tem como foco especial o ciclo do carbono. Cerca de metade desse dióxido de carbono permanece na atmosfera, sendo o restante absorvido pelos oceanos e pela biosfera terrestre .

“Esses bilhões de toneladas de dióxido de carbono adicionais em nossa atmosfera permanecerão lá por séculos, fazendo com que nosso planeta se aqueça ainda mais e tenha um impacto sobre todos os aspectos da vida na Terra”, disse o Secretário-Geral da OMM, Michel Jarraud. “As emissões futuras só vão piorar a situação”. “Até agora, sumidouros de carbono absorveram quase a metade do dióxido de carbono emitido pelos seres humanos na atmosfera, mas isso não vai necessariamente continuar no futuro. Já vimos que os oceanos estão se tornando mais ácidos como resultado da absorção de dióxido de carbono, com possíveis repercussões para a cadeia alimentar submarina e recifes de coral. Há muitas interações adicionais entre gases de efeito estufa, a biosfera da Terra e os oceanos, e precisamos aumentar a nossa capacidade de monitoramento e do conhecimento científico, a fim de entender melhor estes fenômenos “, disse Jarraud.

A agência observou que o dióxido de carbono é o gás de efeito estufa mais importante emitido pelas atividades humanas, e é responsável por 85% do aumento da força radioativa durante a última década. Também é o gás de efeito estufa mais importante de longa duração; os outros são o metano e o óxido nitroso.

Subsídios multimilionários alimentam sobrepesca insustentável

 

Aumentam as reclamações mundiais para que as grandes potências pesqueiras deixem de subsidiar frotas internacionais cujos métodos atentem contra os recursos marinhos e reduzam as capturas dos pescadores artesanais. Os subsídios chegam a US$ 27 bilhões ao ano, dos quais cerca de dois terços procedem da China, Coreia do Sul e de Taiwan, além de Japão, Estados Unidos e países da Europa, segundo uma pesquisa da canadense Universidade de Colúmbia Britânica.

A maior parte do dinheiro vai para a construção dos cada vez mais eficientes barcos necessários para capturar as reduzidas populações de peixes do mundo, e mais recursos vão para compensar o crescente consumo de combustível para entrar no mar profundo. O resultado, segundo o autor principal do estudo, Rashid Sumaila, é que os contribuintes financiam o esgotamento de reservas marinhas e o empobrecimento das comunidades costeiras no estrangeiro.

“Uma grande quantidade do pescado consumido na Europa, nos Estados Unidos e no Japão procede de outros países, em geral pobres”, porque há muito tempo que os ricos sobre-exploram seus próprios recursos, disse Sumaila. “Quanto mais suas frotas pescam em uma área, mais difícil fica continuar pescando nela e mais subsídios pedem. É uma coisa de louco”, ressaltou.

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à alimentação, Olivier de Schutter, disse que nos países ricos se come três vezes mais pescado por habitante do que nos pobres, o que esgota os oceanos e priva os pescadores dos países em desenvolvimento de sua renda e as populações costeiras de alimento. “Sem uma ação rápida para acabar com as práticas destrutivas, a pesca não poderá continuar desempenhando o papel fundamental de garantir o direito à alimentação de milhões de pessoas”, alertou Schutter. Ao reclamar o fim dos subsídios, disse que “as futuras gerações pagarão o preço quando os oceanos estiveram desprovidos”.

O informe da ONU "As Pescas e o Direito à Alimentação" diz que tratados internacionais, como o Convênio das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e a Organização Mundial do Comércio, há tempo cobram o fim dos subsídios para as frotas que não usam métodos de pesca sustentáveis. Além disso, o dinheiro que as frotas industriais pagam às nações em desenvolvimento para pescar em suas águas acabam indo para mãos de governos corruptos, enquanto o impacto recai sobre as comunidades costeiras pobres.

A maioria dos barcos industriais deixariam de ser rentáveis sem subsídios e ofereceriam muito menos emprego, 200 para cada mil toneladas de pescado, diante dos 2.400 da pesca artesanal e com embarcações pequenas, segundo outro estudo citado no informe da ONU. Em escala global, isto se traduz em que 500 mil pescadores industriais capturam 30 milhões de toneladas de pescado, jogam no mar 15 milhões de toneladas e queimam 37 milhões de toneladas de combustível.

A pesca artesanal também extrai 30 milhões de toneladas de recursos marinhos. Mas emprega 12 milhões de pessoas, não joga fora quase nada, usa a sétima parte de combustível do que os barcos industriais e recebe um quinto dos subsídios. Além disso, o alimento que fornecem tem um papel muito maior na saúde das populações locais do que o pescado mais caro vendido nos países mais ricos.

Os barcos industriais pescam outros 35 milhões de toneladas de outros recursos marinhos. O resultado disto é que desaparecem muitos dos recursos vitais para os peixes, além de grandes quantidades de plâncton, a base da cadeia alimentar. Em nível global, 95% do arroz e 80% do trigo são consumidos no país em que foram cultivados, mas apenas 60% do pescado se come onde foi capturado, o restante é exportado, afirma o estudo.

Pelo direito de pescar em águas jurisdicionais, as frotas industriais pagam aos governos entre 2%, à Guiné Bissau, e 6%, às ilhas do Oceano Pacífico em cujas águas se obtém metade do atum consumido no mundo. Em comparação, as empresas estrangeiras que fabricam azeite pagam aos governos entre 30% e 70% do valor do produto extraído de seus territórios.

Em alguns países, os pequenos pescadores chegaram ao limite. Em maio, 50 mil pescadores artesanais do Senegal, descontentes com a redução da captura, decorrente da pesca de arrasto praticada por frotas europeias, obrigaram o governo a cancelar as licenças das frotas estrangeiras concedidas pela administração anterior, com apoio de organizações como Greenpeace.

A Namíbia, por exemplo, proibiu a presença de barcos estrangeiros em suas águas depois de sua independência, em 1990, e desenvolveu sua própria pesca industrial. Maldivas, no Oceano Índico, proibiu a pesca de atum para embarcações industriais estrangeiras para favorecer os pequenos barcos, que conseguem peixes de melhor qualidade.

O informe da ONU exorta os governos com litoral a negociarem novos acordos com frotas estrangeiras para manter os barcos longe do fundo do mar e permitir a recuperação dos recursos de pequena escala. “Os recursos devem ser afastados da superexploração para beneficiar as comunidades locais”, insistiu Schutter.

Antibióticos dados a animais chegam ao solo e podem contaminar vegetais

Os antibióticos que são dados a animais chegam ao solo e podem se concentrar em legumes e vegetais comidos pelas pessoas, mostra pesquisa da USP (Universidade de São Paulo). O engenheiro agrônomo Rafael Leal, pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP em Piracicaba, no interior de São Paulo, afirma que os resíduos atingem o ambiente de forma direta, nas fezes e na urina dos animais tratados, ou indireta, com o uso de esterco animal na adubação de propriedades rurais. Como o Brasil ainda não possui legislação sobre limites de resíduos no ambiente, Leal recomenda o controle e o monitoramento das substâncias na criação de animais.

A pesquisa avaliou quatro tipos de antibióticos, as fluoroquinolonas (norfloxacina, ciprofloxacina, danofloxacina e enrofloxacina), aplicadas em amostras de solo, de cama de frango (revestimento sobre o qual ficam os animais no criadouro) e solo fertilizado com cama de frango – foram usadas 46 amostras de cama de frango e 11 de solo, coletadas em granjas e áreas agrícolas de Piracicaba e outras sete cidades próximas.

Leal diz que verificou, ainda, “o potencial dos resíduos de serem absorvidos e eliminados dos solos representativos do Estado de São Paulo”. “Nos dois casos (cama de frango e solo), os valores foram compatíveis com os níveis relatados em outros países, podendo-se citar levantamentos conduzidos na Áustria, China e Turquia”, explica.

O engenheiro agrônomo afirma que, além de impactar negativamente organismos aquáticos e terrestres, a ocorrência dos resíduos pode aumentar a resistência de micro-organismos aos antibióticos. “As implicações da presença dos resíduos ainda são pouco conhecidas, pois começaram a ser investigadas somente a partir do ano 2000, e o Brasil carece de pesquisas na área, ignorando possíveis efeitos no ecossistema local”.

Embora não haja uma relação direta entre os efeitos dos resíduos com a saúde das pessoas, Leal observa que as concentrações transferidas ao solo pela aplicação de esterco animal podem favorecer a seleção de populações de micro-organismos resistentes. “Os resíduos também poderiam ser absorvidos e acumulados nos tecidos vegetais, causando riscos quando da colheita e consumo de alimentos de origem vegetal.”

 

 
Até dois terços das espécies marinhas podem ser desconhecidos, diz estudo
 

Nos últimos dez anos, mais espécies marinhas foram descobertas pela ciência do que em qualquer outra década da história. Apesar disso, cientistas estimam que até dois terços das espécies que habitam os oceanos ainda sejam completamente desconhecidas, afirma estudo recém-publicado na revista científica “Current Biology”. A publicação americana divulgou em seu site o lançamento de um censo da vida marinha, criado a partir da colaboração de diversos cientistas ao redor do mundo.

O Worms (Registro Mundial de Espécies Marinhas) foi criado a partir do trabalho de 270 estudiosos de 146 instituições, provenientes de 32 países. O catálogo pode ser acessado gratuitamente através do seu  site na internet, sendo constantemente atualizado a partir da descoberta de novas espécies.

Mark Costello, pesquisador da Universidade de Auckland (Nova Zelândia) que ajudou na construção do projeto, afirmou que o trabalho de coleta de dados “não foi tão fácil quanto deveria”. “Um problema encontrado pelos pesquisadores foi a ocorrência de diferentes nomes e descrições para as mesmas espécies, os chamados sinônimos”, afirmou Costello. As baleias e golfinhos, por exemplo, apresentam em média 14 diferentes nomes científicos para cada espécie, em geral dadas por pesquisadores diferentes que estão trabalhando com o mesmo bicho sem saber. Quando esse problema é percebido, fica valendo o nome que foi publicado primeiro.

A partir da exclusão dos sinônimos, cerca de 40 mil espécies foram retiradas da base de dados que forma o Worms, apesar de seus nomes científicos continuarem disponíveis para a consulta no site.

“Pela primeira vez podemos fornecer um olhar detalhado sobre a riqueza de espécies marinhas. Nunca soubemos tanto sobre a vida nos oceanos”, afirmou Ward Appeltans, colaborador do projeto e membro da Comissão Intergovernamental de Oceanografia, órgão ligado à Unesco.

A partir do levantamento das quase 215 mil espécies já catalogadas pelo Worms, pesquisadores estimam que o número total de espécies que habitam os oceanos possa chegar a até 1 milhão. Até a publicação desse estudo, estimativas costumavam apontar para números muito maiores.

A pesquisa fornece um ponto de referência para esforços de conservação e estimativas de taxas de extinção, afirmam os pesquisadores. Eles esperam que a grande maioria das espécies desconhecidas – principalmente pequenos crustáceos, moluscos, vermes e esponjas – seja achada ainda neste século.

“Apesar de menos espécies viverem nos oceanos do que na terra, a vida marinha apresenta linhagens evolutivas muito mais antigas, fundamentais para a nossa compreensão da vida no planeta”, disse Appeltans. “Em certo sentido, o Worms é só o começo.”

Appeltans ainda ressaltou a importância do trabalho colaborativo dos cientistas na construção do projeto. “Esse banco de dados nos fornece um exemplo de como outros biólogos também podem colaborar para produzir um inventário coletivo de toda a vida na Terra”, diz Appeltans.

 
 

Áreas de planalto do Pantanal sofrem mais devastação que planícies, aponta estudo

 

A área de vegetação nativa do Pantanal na região da Bacia do Alto Paraguai caiu de 86,6% para 86,2% no período de 2008 a 2010, o que indica avanço do uso do solo para agricultura e pecuária, conforme levantamento divulgado no dia 20 de novembro, em Campo Grande.

Na segunda edição do relatório “Monitoramento das alterações da obertura vegetal e uso do solo na Bacia do Alto Paraguai (BAP)”, também consta que a área preservada no planalto passou de 41,8% para 40,7%.

O monitoramento foi realizado pelas ONGs Conservação Internacional, Fundação Avina, Instituto SOS Pantanal, WWF-Brasil e pela Embrapa Pantanal. Também teve o apoio da SOS Mata Atlântica e da Ecoa-Ecologia e Ação, e execução técnica da ArcPlan.

O primeiro levantamento divulgado anteriormente refere-se ao período de 2002 a 2008.

No relatório recém divulgado, que abrange período de 2008 a 2010, os ambientalistas apontam que, mesmo mantendo 86,2% de sua área natural conservada, o Pantanal não está livre de ameaças. A principal preocupação é a conversão do uso do solo para a agricultura e a pecuária, em especial no região de planalto da bacia, onde estão as nascentes dos rios que correm para a planície pantaneira.

As áreas de pastagens aumentaram tanto na planície – de 11,1% para 11,3% – quanto no planalto, de 43,5% para 43,9%. A agricultura manteve índice estável na planície (0,3%), mas aumentou de 9% para 10% no planalto.

O monitoramento das alterações da cobertura vegetal e uso do solo no BAP foi feito em território brasileiro, que vai desde as cabeceiras até a confluência do rio Paraguai com o rio Apa, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Essa bacia hidrográfica possui uma área total de 620 mil km², sendo que 60% estão em território brasileiro.

O objetivo do estudo é acompanhar a mudança de uso e ocupação do solo, além das alterações na cobertura vegetal desta bacia hidrográfica, que abriga o Pantanal. Os dados poderão ajudar a entender melhor a redução na dinâmica de alteração, com a análise de fatores socioeconômicos e também de melhoria de eficiência produtiva da agropecuária nas áreas já consolidadas.

“Enquanto a parte baixa ainda está bastante preservada, a parte alta do Pantanal apresenta uma devastação grande. Esta relação é importante porque tudo o que acontece na parte alta vai ter impacto na planície”, disse Michael Becker, superintendente de conservação do WWF-Brasil. Becker ainda destacou que obras como barragens na região, que é caracterizada pelas inundações constantes, podem significar assoreamento de rios e redução no volume de pescados. Para o pesquisador, os dados devem ser considerados na definição e aplicação de políticas locais. O estudo destaca, por exemplo, que a legislação ambiental deve ser cumprida e adaptada ao Pantanal.

“O Pantanal tem características específicas de pastagens naturais e obedece um ritmo de inundações que é uma das características peculiares da região. Temos que ter outras regras diferentes das aplicadas aos outros rios do país”, defendeu Becker.

 

Estudo aponta para o risco das reservas de água do subsolo do planeta entrarem em colapso

 

Sob a terra sólida, corre a maior reserva de água potável líquida do mundo, um verdadeiro tesouro cobiçado, principalmente, por agricultores. Todos os dias, milhões de litros são drenados do solo para a produção de alimentos em todo o planeta, um método prático e barato, mas que começa a cobrar seu preço. Uma análise (Regional strategies for the accelerating global problem of ground water depletion) publicada no dia 21 de novembro na revista especializada Nature Geoscience alerta para a possibilidade da perda permanente de algumas dessas fontes, motivada pela falta de planejamento na exploração dos aquíferos combinada com os efeitos da mudança climática.

De acordo com os autores do artigo, uma ação urgente é necessária para estabilizar os níveis nessas regiões e garantir a produção de alimentos. “A questão é urgente em algumas regiões, onde a queda dos níveis de água torna cada vez mais difícil o suprimento para irrigação. Isso pode causar um impacto na produção da agricultura e no mercado de alimentos”, avisa o alemão Werner Aeschbach-Hertig, um dos responsáveis pela análise. De acordo com a publicação, cerca de 90% de todo a água usada no mundo tem como destino as plantações irrigadas, responsáveis por 40% da produção global de comida.

A falta de equilíbrio no sistema causa prejuízo na vegetação das regiões exploradas e ainda influencia no aumento do nível dos oceanos. A redução do volume no subterrâneo ainda pode induzir o fluxo do líquido, que sofre um processo de salinização e poluição, com o deslocamento para outras áreas.

Isso acontece, de acordo com o especialista, porque a recuperação dessas fontes costuma ser mais lenta que a velocidade de extração. A conta, no entanto, é mais complicada do que parece. A interferência em um aquífero muda o ritmo de produção de água, criando um equilíbrio dinâmico e difícil de ser mantido. Parte da água usada na irrigação também retorna a terra pela evapotranspiração, mas esse processo não pode ser medido com precisão.

Estima-se que cerca de 1,5 trilhão de litros de água sejam retirados do solo todos os anos. O volume representa somente um décimo do volume produzido pelo planeta no mesmo período. Parece pouco, mas, mesmo que a exploração retire apenas uma fração do que é criado, a concentração dos poços em determinadas regiões põe em risco todo o sistema. Um aquífero pode levar horas ou anos para voltar ao seu salto de água original, mas, se o dano for muito profundo, é possível que ele nunca volte ao normal, e aquela fonte seja perdida.

O perigo, ressalta Aeschbach-Hertig, é para todos. Contudo, o esgotamento do aquífero atinge áreas semiáridas e úmidas de uma forma mais intensa do que regiões carentes de água. Isso ocorre porque a exploração acaba influenciando mais que os fatores climáticos. Entre os locais com depósitos mais afetados está o nordeste da China, o oeste dos Estados Unidos, o norte da África e países como México, Irã e Arábia Saudita.

São locais prejudicados pela alta concentração da exploração, como as grandes planícies norte-americanas, onde um terço de todo o consumo do recurso se reúne em apenas 4% da região. Mesmo procurando seguir um ritmo constante e seguro de extração, muitos agricultores levaram à extinção de aquíferos e à degradação ecológica.

O ponto mais prejudicado pela extração desenfreada é a Planície Indo-Gangética, que inclui partes do Paquistão, o norte da Índia e Bangladesh. Mais de 1 bilhão de pessoas vivem na região. O problema teve início nos anos 1970, quando a tecnologia permitiu que os agricultores abandonassem a exploração dos rios e criassem milhões de poços que funcionam sem qualquer regulação. “Um bom exemplo de mau gerenciamento é o fato de que fazendeiros podem obter eletricidade apenas bombeando água a preços muito baixos. Embora isso ajude a melhorar suas vidas, tem um efeito ruim nos reservatórios”, exemplifica o autor do artigo.

Somente na Índia, a agricultura consome o dobro de água subterrânea que os Estados Unidos ou a China. Essa falta de cuidados tem levado a uma diminuição de mais de 1 m no nível dos aquíferos todos os anos. Em pouco tempo, é possível que alguns deles sejam reduzidos a volumes tão pequenos que tornem seu uso inviável, um quadro que muitas vezes não pode ser revertido.

No Brasil, os níveis de exploração permanecem relativamente baixos, devido ao clima úmido da maior parte do território e à alta oferta de água superficial. Mas a má gestão dos recursos naturais pode colocar em risco essa abundância. “Um exemplo é o próprio Distrito Federal, que tem uma situação de abastecimento bastante delicada. Produzimos praticamente a mesma quantidade de água que consumimos, e somos, infelizmente, uma população mal-educada, com um histórico de desperdício”, lamenta Gustavo Souto Maior, professor do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com o engenheiro, além do uso consciente da água, é necessária uma regulação rígida sobre a criação e exploração de poços artesianos no país. “São milhares de poços abertos sem o menor controle por parte do poder público. Esse controle tem de ser feito não somente pela quantidade de água retirada, mas também pela qualidade da água, pois muitos poços são abertos em locais inapropriados, como próximo a áreas com esgoto”, afirma o engenheiro. Um dos pontos do Distrito Federal mais prejudicados pelo uso indevido é a Bacia do Rio Preto, onde há grande produção agrícola.

A falta de controle é uma questão mundial, o que torna difícil medir a dimensão do problema. Sem supervisão de agências reguladoras, muitos produtores de diversos países recorrem a soluções técnicas que buscam aumentar a eficiência da irrigação e até mesmo repor a água retirada, mas essas estratégias não são suficientes.

Para o pesquisador, cada caso exige uma análise especializada, que leve em conta os aspectos geológicos, econômicos e sociais da região para criar um plano de longo prazo. Entre as medidas que podem ser utilizadas, estão a divisão de grandes plantações em campos menores e a irrigação combinada com águas de rios e outras fontes superficiais.

Um exemplo positivo é o Texas, nos Estados Unidos, que passou a manter o planejamento de seu sistema subterrâneo ao menos 50 anos adiantado, com objetivos como a manutenção de fontes especiais para o equilíbrio ecológico ou a preservação de determinado fluxo. E, a cada cinco anos, a estratégia passa por adaptações baseadas em avaliações regulares.

 
 
Taxa de desmatamento da Amazônia diminui no Brasil, mas cresce nos demais países do Bioma
 

No dia 27 de novembro, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou a menor taxa de desmatamento da história na Amazônia Legal desde que a região começou a ser monitorada pelo INPE, em 1988. Segundo estimativas do Prodes, foram desmatados 4.656 km² de floresta no período que vai de agosto de 2011 a julho de 2012, uma queda de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, que atingiu 6.418 km².

O fato foi muito comemorado pelo governo federal, já que revelam que o Brasil atingiu 76,27% dos 80% do desmatamento que se comprometeu a reduzir na Amazônia até 2020, atingindo o patamar dos 3,9 mil quilômetros quadrados. Esse compromisso faz parte da Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída pela Lei 12.187/2009, que firmou o compromisso nacional voluntário de reduzir entre 31,6% e 38,9% as emissões projetadas de gases de afeito estufa até 2020.

Dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, três apresentaram crescimento no desmatamento: Tocantins (33%) chegando a 53 km² por ano, Amazonas (29%) atingindo 646 km² por ano e Acre (10%), chegando 308 km² por ano. O Estado do Pará apresentou queda de 44% do desmatamento, mas continua sendo o campeão no tamanho da área, com uma área de 1,7 mil km² desmatados.

Estaria tudo muito bem, não fosse a disparada dos números dos últimos três meses. Os dados do Prodes, divulgados no dia 27/12, são anuais e bastante precisos, mas refletem o passado. Desde agosto desse ano, os dois principais sistemas de alerta mensal de desmatamento na Amazônia, o Deter, do Inpe, e o SAD, do Imazon, mostram uma inflexão para cima do desmatamento. Mais que isso, apontam uma disparada.

O Deter detectou um aumento de 220% em agosto e de 10% em setembro, comparados aos mesmos meses de 2011. Na ocasião da divulgação da nova taxa anual de desmatamento, o MMA não divulgou os números de outubro, que certamente já foi calculado pelos técnicos do Inpe.  A ONG Imazon divulgou um aumento de 377% no desmatamento de outubro de 2012.  O Deter e o SAD são sistemas menos precisos, entretanto, mudanças de tal magnitude, detectadas por dois sistemas independentes devem estar indicando a tendência correta: aumento do desmatamento. Portanto, deve-se ficar atentos aos próximos resultados mensais nas taxas de desmatamento para verificarmos se a tendência de queda continuará em 2013.

O levantamento do PRODES registra somente  áreas superiores a 6,25 hectares onde ocorreu corte raso, a remoção completa da cobertura florestal.  O que foi divulgado, é a primeira estimativa, sendo que os números consolidados serão conhecidos somente no ano que vem. A margem de erro da estimativa é de 10% para cima ou para baixo. Mesmo quando somados a estimativa atual com a margem de erro, a taxa de desmatamento continua sendo a menor da história. Ela subiria de 4. 656 km² para 5.121 km² de desmate.

Para gerar a estimativa do Prodes, ora divulgada, o INPE analisou imagens das regiões onde se concentra 90% dos desmatamentos ocorridos no período anterior (agosto/2010 a julho/2011) e nos municípios que estão na lista de campeões de desmatamento.

Apesar da redução do desmatamento no Brasil, a Floresta Amazônica continua a desaparecer do mapa em ritmo alarmante no continente. Em dez anos, de 2000 a 2010, a floresta amazônica  distribuída por nove países da América do Sul, perdeu cerca de 240 mil quilômetros quadrados de cobertura florestal, uma área do tamanho do Reino Unido e pouco menor que o Estado de São Paulo. Oitenta por cento desse desmatamento ocorreu no Brasil, que tem - de longe - a maior área de floresta do continente (62%).

Esses dados foram reunidos pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciadas (RAISG) e divulgados no dia 04 de dezembro por 11 organizações não governamentais na forma do atlas “Amazônia sob pressão”. É como se, em 11 anos, “sumisse do mapa” área equivalente a quase seis vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Os números fazem parte do documento “Amazônia sob pressão”, que reúne informações sobre a degradação registrada ao longo da última década na região englobada pelo bioma.

O documento reuniu dados oficiais de governos que detêm partes da Amazônia. No caso do Brasil, foram usados dados do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável por divulgar anualmente a taxa de devastação do bioma no Brasil.

O relatório mensura ainda possíveis ameaças à floresta, que passa por uma acelerada transformação devido a obras de infraestrutura como hidrelétricas, estradas, além de atividades ilegais como a mineração.

Com isso, segundo a publicação, o ritmo atual de implantação desses tipos de empreendimentos poderia causar, nos próximos anos, o desaparecimento de até metade da selva amazônica atual, que cobre uma extensão de 7,8 milhões de km², cerca de 12 macrobacias, compartilhadas por 1.497 municípios.

“A Amazônia está fortemente inserida num processo de degradação, fragmentação e supressão. Nos últimos 50 anos, uma combinação de novas formas de ocupação tem suprimido essa paisagem por outra, mais seca que homogênea”, explica Beto Ricardo, da ONG Instituto Socioambiental (ISA), coordenador da rede amazônica que elaborou a pesquisa.

De acordo com o levantamento, todas as sub-bacias amazônicas foram afetadas por algum tipo de ameaça ou pressão – construção de estradas, exploração de petróleo e gás, construção de hidrelétricas, implantação de garimpos para mineração, desmatamento e queimadas. Sobre a construção de estradas, o documento afirma que planos para conectar os oceanos Atlântico ao Pacífico aceleram a pressão sobre a Amazônia, e que o Peru e a Bolívia são os países que detêm o maior número de rodovias construídas no meio da floresta.

O relatório aponta também que em toda a Amazônia existem 171 hidrelétricas em operação ou em desenvolvimento, além de 246 projetos em estudo. No caso da mineração, as zonas de interesse somam 1,6 milhão de km² (21% do território do bioma), em especial na Guiana. Sobre a exploração de petróleo e gás, atualmente existem 81 lotes sendo explorados, mas há outros 246 que despertam interesse da indústria petrolífera.

Referente às queimadas, o relatório das ONGs diz que o sudeste da Amazônia, entre o Brasil e a Bolívia, concentra a maior quantidade de focos de calor – a região recebe o nome de “arco do desmatamento”. Esta faixa territorial vai de Rondônia, passando por Mato Grosso, até o Pará.

O relatório computou dados da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Entre 2000 e 2010, o Brasil foi o principal responsável pela degradação da floresta (80,4%), seguido do Peru (6,2%) e Colômbia (5%). A quantidade é proporcional à área de floresta englobada pelo país (uma participação de 64,3% no território amazônico).

“Apesar dos dados de queda no desmatamento divulgados pelo governo, o Brasil é o país com maior passivo amazônico, especialmente por conta das estradas e da pecuária extensiva de baixa produtividade, apoiada em milhões de hectares de pastos degradados”, explica Ricardo. Segundo o coordenador da rede amazônica, a degradação no bioma só não é maior graças às unidades de conservação e terras indígenas, que conseguem “frear” a tendência de desmate. “No entanto, elas não resistirão por muito tempo”, acredita.

Ele afirma que, com o sistema, deverão ser implantadas rotinas de monitoramento das possíveis pressões e ameaças ao bioma, com o objetivo de aprimorar os dados de degradação de países que não têm um sistema rotineiro de observação, diferentemente do Brasil. “Queremos interagir com outras redes panamazônicas, disponibilizar informações e mobilizar as sociedades civis, além de interagir com os governos”, disse Beto Ricardo. 

A publicação, assim como outros produtos gerados pela Raisg podem ser acessados aqui.


 
 
Governo proíbe arrancar nadadeiras de raias e tubarões
 

Os ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente publicaram no dia 28 de novembro uma Instrução Normativa Interministerial que exige desembarque de tubarões e raias com todas as nadadeiras naturalmente aderidas ao corpo, proibindo a prática do finning no país, que consiste na retirada da barbatana e a devolução ao mar do animal ainda vivo, porém mutilado e sem chances de sobrevivência. A proibição melhorará a fiscalização, já que com o desembarque do animal inteiro, será possível identificar irregularidades na pesca, como a caça de fêmeas grávidas.

Nas águas jurisdicionais brasileiras, são capturados de 1.500 a 2 mil toneladas de tubarão azul, um dos mais visados para o aproveitamento de barbatanas, de 10 mil a 12 mil toneladas das demais espécies de tubarões e 7 mil toneladas de arraias marinhas, segundo dados do MMA referentes ao período 2008/2010.

O consumo de barbatana para sopas e outros pratos exóticos e o comércio da cartilagem são responsáveis pela morte de 100 milhões de tubarões no mundo todo, sendo que 70% destinam-se ao preparo de sopa de barbatana e ao comércio de cartilagem, contabiliza o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Das 88 espécies brasileiras, 38 estão na lista de extinção. Sabe-se que o tubarão alcança a maturidade sexual entre dez e 15 anos de vida e se reproduz de dois em dois anos e 50% de suas crias são predadas antes da idade adulta.

José Truda Palazzo, presidente da Rede Marinho-Costeira e coordenador da campanha Divers for Sharks, participou da formulação da Instrução Normativa e avaliou que a proibição da prática do finning é uma boa medida e faz o Brasil avançar na proteção aos tubarões e raias, mas não é suficiente para evitar a extinção dos animais. “O Brasil, mesmo com tantos problemas graves na gestão da pesca, está se adiantando a vários países em proibir essa prática absurda. Ainda falta muito para que os tubarões brasileiros estejam efetivamente protegidos. A fiscalização da pesca precisa melhorar muito, abrangendo de maneira mais completa o controle dos desembarques, e na minha opinião, a exportação de barbatanas de tubarões precisa ser urgentemente proibida".

Segundo Truda, a exportação legal está servindo de fachada para "um gigantesco contrabando, comprovado nas (muito poucas) apreensões feitas pelo IBAMA, em que centenas de milhares de barbatanas foram apreendidas num só carregamento ilegal". Além da fiscalização insuficiente, outros porblemas são apontados: "A recusa do governo federal em criar novas Unidades de Conservação marinhas de proteção integral, ou mesmo de implantar adequadamente as que existem – A APA de São Pedro e São Paulo, por exemplo, uma área importantíssima para a conservação de tubarões, mas que convive com a pesca industrial comendo solta no seu interior sem nenhuma fiscalização – prejudicam a conservação não só dos tubarões mas de outras espécies marinhas muito ameaçadas pelos abusos da pesca industrial, como as arraias-manta, atuns, marlins e outros”, analisa Truda.

Além do comércio de barbatanas, os tubarões e raias são vítimas de técnicas predatórias de pesca, como o espinhel (uso de vários anzóis pendurados na superfície, com iscas, e presos a boias) e pesca de arrasto de fundo (consiste no arrastamento de gigantescas redes, ao longo do fundo do mar, sustentadas por grandes placas metálicas e rodas de borracha presas a essas redes, que se movem ao no fundo e esmagam praticamente tudo no seu caminho).

A Instrução Normativa Interministerial nº 14 regulamenta o desembarque, o transporte, o armazenamento e a comercialização de tubarões e raias capturados nas águas brasileiras. Os procedimentos necessários para fiscalizar o controle do desembarque, armazenamento, conservação, beneficiamento, transporte e comercialização de barbatanas e nadadeiras serão definidos em norma específica, a ser editada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no prazo máximo de 90 dias.

A pesca de nadadeiras (denominada finning em inglês) tem sido criticada mundialmente pela crueldade. O Brasil é um dos primeiros países a proibir a prática em todo o mundo. De acordo com Mônica Peres, a maior parte das espécies de tubarões e arraias é muito vulnerável por se tratar de animais de grande porte, que vivem muito, crescem lentamente, têm pequeno número de filhotes e costumam formar cardumes numerosos, tornando-se alvos fáceis dessa modalidade de pesca. Por causa disso, o grupo tem recebido atenção internacional diferenciada com vistas a garantir sua sobrevivência.

O finning consiste na retirada das barbatanas do tubarão, descartando-se a carcaça e aproveitando-se, apenas, 2% a 5% do animal para comercialização e consumo, conforme dados do MMA e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). As barbatanas são vendidas para produção de sopa, principalmente em países asiáticos, e atingem preços muito mais elevados do que os da carne do resto do corpo do animal. O finning é prática antiga e amplamente difundida em todo o mundo, sendo de difícil monitoramento, admitem especialistas no assunto.

Dados do Ministério do Meio Ambiente mostram que o finning potencializa os efeitos destrutivos da pesca sobre as populações das espécies-alvo de tubarões, muitas das quais consideradas raras ou vulneráveis. Essa prática também afeta, diretamente, a integridade dos ecossistemas marinhos e de populações de outras espécies de interesse comercial, por potencializar a remoção de predadores de topo (que estão no alto da cadeia alimentar). Dificulta, também, a obtenção de informações específicas essenciais ao monitoramento da atividade pesqueira e à implantação de políticas de manejo sustentável.

Para a gerente da GBA/MMA, a instrução normativa aumenta efetividade da coibição do finning por ser considerada a melhor e mais efetiva ferramenta de conservação desse grupo, além de colocar o Brasil numa posição de liderança em relação ao assunto. “Estamos propondo a inclusão de três espécies de tubarão-martelo (Sphyrna lewini, S. zygaena, S. mokarran) no apêndice da II Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites) na próxima Conferência das Partes, e ainda somos co-proponentes de outras quatro espécies (Manta spp., Lamna nasus  e Carcharhinus longimanus), explica Mônica Peres, PhD em Oceanografia Biológica.

Estudos recentes apoiados pelo MMA mostram que o desembarque das barbatanas aderidas ao corpo dos tubarões resolve o problema das espécies que possuem barbatanas com peso superior a 5% do peso da carcaça, excluindo a possibilidade de embarcações contendo essas espécies ficarem em situação irregular na hora da pesagem. Também soluciona a questão de diferentes tipos de cortes para a remoção das barbatanas e de diferentes processamentos aplicados a bordo (barbatanas congeladas, frescas ou secas), que podem alterar seu peso relativo. A medida pode, ainda, maximizar a qualidade e o preço das barbatanas e carcaças, facilitando a identificação das espécies e permitindo melhor obtenção de dados científicos para políticas de gestão pesqueira, como informa a IUCN; além de facilitar o trabalho de fiscalização e de controle efetivo.


 
 Entenda o que foi aprovado na conferência do clima de Doha
 

Um dia se escreverá a história das negociações internacionais sobre as mudanças climáticas. O livro poderia se chamar “As mil e uma maneiras de não tomar as decisões urgentes fazendo de conta que se tomam decisões importantes”. É o que os comunicadores da Conferência das Partes (COP) - secretários, presidentes, copresidentes, etc. - têm uma grande habilidade para sair das reuniões com as mãos vazias e nos mostrar tesouros reluzentes.

A Conferência teve ao longo de sua história uma série de pomposos documentos finais que, na realidade, só decidiram que resolveram postergar as decisões para mais adiante. O “Mandato de Berlim” (1995), o “Plano de Ação de Buenos Aires” (1998) e “O roteiro de Bali” (2007) são alguns desses exemplos. O último desses casos é a “Plataforma de Durban”, aprovada em 2011 naquela cidade sul-africana. Ali se comunicava que, como não tinham sido cumpridos os compromissos de Bali, os delegados iriam levar alguns anos mais para ver como reacomodavam a agenda e continuavam a discussão até 2015.

A 18ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-18), que ocorreu em Doha (Catar), entre os dias 26 de novembro a 08 de dezembro, não poderia ser diferente, aprovou-se um novo adiamento, desta vez denominado o “Portal Climático de Doha” (Doha Climate Gateway). O chamado “pacote de Doha” inclui vários documentos, particularmente os acordos resultantes dos grupos do Protocolo de Kyoto, da Plataforma de Durban e de Cooperação de Longo Prazo, entre outros.

O novo pacote de acordos põe um ponto final à agenda de Bali – firmada em 2007 e que devia ter sido concluída há dois anos em Copenhague – e mantém aberta a nova rota estabelecida em Durban. Não colocou ponto final porque alcançou os objetivos propostos, mas sim porque conseguiu garantir a continuidade do Protocolo de Kyoto entre 2012 até 2020 – ainda que muito mais débil do que já era – e passar todos os temas não resolvidos do grupo criado em Bali sobre Cooperação de Longo Prazo para 2015 por meio da Plataforma de Durban.

Além de conseguir um acordo para estender o Protocolo de Kyoto até 2020, a conferência estabeleceu pela primeira vez que as nações ricas devem começar a compensar as nações pobres por perdas em consequência das mudanças climáticas. Isso foi comemorado como uma grande novidade pelas nações em desenvolvimento. Mas elas condenaram a distância entre a ciência das mudanças climáticas e as tentativas políticas de combatê-las. O acordo, apoiado por quase 200 países, mantém o protocolo vivo como o único plano legal obrigatório para o combate ao aquecimento global. Porém ele determina metas obrigatórias apenas para as nações em desenvolvimento, cuja parcela de responsabilidade pela emissão de gases do efeito estufa é de menos de 15%.

O texto final "sugere" que as nações ricas mobilizem pelo menos US$ 10 bilhões ao ano entre 2015 e 2020, quando o novo acordo global para o clima deve entrar em vigor, para compensações pelos efeitos das mudanças climáticas.

A conferência estava prevista inicialmente para terminar no dia 07 de dezembro, mas foi prorrogada por falta de consenso. As negociações de última hora tiveram sua dose de drama, com uma ameaça de colapso com a insistência da Rússia, da Ucrânia e de Belarus de que deveriam receber um crédito extra pelos cortes de emissões ocorridos quando suas indústrias fecharam. Após um longo atraso, o presidente da conferência perdeu a paciência, reiniciou as reuniões e passou a agenda tão rapidamente que não houve chance de a Rússia fazer objeções. A ação foi recebida com um longo aplauso. A Rússia reclamou de uma suposta ilegalidade de procedimentos, mas o presidente afirmou que não faria mais do que refletir a visão russa em seu relatório final.

Os grandes emissores como os Estados Unidos, a União Europeia e a China aceitaram o acordo com graus variados de reservas. Mas o representante das pequenas ilhas gravemente ameaçadas pelas mudanças climáticas foi feroz em suas críticas. "Vemos o pacote diante de nós profundamente deficiente na mitigação (cortes de emissões) e no financiamento. É provável que vá nos manter na trajetória de aumento de 3, 4 ou 5 graus nas temperaturas globais, apesar de termos concordado em manter um aumento de temperatura de no máximo 1,5 grau para garantir a sobrevivência de todas as ilhas", afirmou. Os Estados-ilha aceitaram o acordo porque para eles é melhor do que nada.

Outros diplomatas apontaram à imensa complexidade do processo liderado pela ONU, que vem tentando avançar do antigo Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, para uma nova fase na qual tanto nações desenvolvidas quanto em desenvolvimento assumem obrigações no combate às mudanças climáticas.

O novo mecanismo proposto de Perdas e Danos, para compensar as nações em desenvolvimento, é considerado um exemplo de sucesso no processo diplomático. Até agora as nações ricas aceitavam ajudar financeiramente países em desenvolvimento a adotar projetos de energia limpa para combater as mudanças climáticas, mas não aceitavam responsabilidade pelos danos causados em outros lugares pelas mudanças climáticas. Em Doha esse princípio mais amplo foi aprovado.

A maior tarefa nas duas semanas de conferência foi o desenrolar do emaranhado de acordos do clima que foi crescendo aos pedaços nos últimos 15 anos. A sensação geral é de que um bom trabalho de limpeza foi feito para ajudar a ONU a partir para a próxima fase, com o objetivo de conseguir um acordo com responsabilidades globais. As discussões preliminares sobre isso já aconteceram, e deixaram evidente que um acordo global que seja justo para todos os lados será monumentalmente difícil.

Entenda os principais pontos do que foi aprovado em Doha:

Segundo período do Protocolo de Kyoto - Ficou estabelecida a criação de um segundo período do Protocolo de Kyoto, que passará a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2013, com previsão de término para 2020. Ele garantirá um corte de 18% dos gases de efeito estufa sobre os níveis de 1990. Muito pouco comparado às metas de corte de 25% e 40% que os cientistas afirmam ser importante para conter o aquecimento global.

Do novo acordo, fazem parte 36 países: Austrália, Noruega, Suíça, Ucrânia e todos os integrantes da União Europeia. Segundo Tasso Azevedo, ex-diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro e consultor ambiental que participou das negociações em Doha, esses países juntos são responsáveis por apenas 15% das emissões globais. O Japão, Nova Zelândia, Canadá e Rússia - integrantes da fase anterior - resolveram não participar do novo período do Protocolo de Kyoto.

Quanto às metas de redução estabelecidas para este segundo período, elas não colaboram para a redução das emissões de gases-estufa no planeta, pois quase nenhum país apresentou uma meta de diminuição de 25% dos gases, quantidade considerada mínima de acordo com os cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas). Por conta disso, foi implementado um mecanismo prevendo que, até 2014, os governos inseridos no Protocolo de Kyoto tentem reduzir suas emissões entre 25% e 40%. Mas isso vai depender da boa vontade dos países desenvolvidos.

O mecanismo de revisão foi apresentado pelo Brasil. "O mecanismo interno criado por nós facilita que as metas se tornem mais profundas, sem precisar que se adote uma nova emenda ao protocolo”, disse o chefe dos negociadores da delegação brasileira, o embaixador Luiz Albertp Figueiredo.

Sobras de gases dos países ricos - Ainda sob o guarda-chuva de Kyoto, ficou decidido que durante os oito anos do segundo período de Kyoto não será permitida a venda dos chamados “hot airs”. O termo refere-se à quantidade de gases que um país desenvolvido deixou de cortar e, para que alcançasse sua meta de redução, poderia ser vendida para outro país em forma de autorizações de emissões. Estariam interessados nesse "comércio" nações inseridas em Kyoto que tenham ultrapassado o limite de redução de gases - como uma forma de compensar as emissões.

“Eram 7 bilhões de toneladas de CO2 que poderiam ser comercializados. Quando você vende uma unidade dessa, você dá direito de emitir ao outro. Com isso se garante a integridade ambiental do protocolo”, explicou Figueiredo.

Financiamento travado - Segundo Figueiredo, entraves referentes a financiamentos de países ricos a países pobres, com o objetivo de combater os efeitos da mudança climática, não foram resolvidos. Na pauta de negociações estavam a definição de como seriam arrecadados US$ 30 bilhões entre 2009 e 2012 para as nações em desenvolvimento e como se arrecadaria também US$ 100 bilhões anuais até 2020 para um fundo climático revertido aos governos mais pobres.

A crise financeira foi o principal argumento apresentado por representantes na COP 18. “Não houve um progresso tão bom quanto gostaríamos. Houve a reafirmação da promessa dos US$ 100 bilhões anuais até 2020, mas não houve a indicação clara de que o dinheiro vai aumentar paulatinamente até 2020”, explica Figueiredo.

Novo acordo global - Outro ponto considerado importante e que ficou decidido em Doha refere-se à discussão sobre perdas e danos. Ficou estabelecida a possibilidade de se criar seguros internacionais para atender possíveis prejuízos sofridos por países pobres atingidos pela mudança climática. No entanto, o funcionamento do novo instrumento será negociado no âmbito do novo acordo climático.

Foi ainda estipulado um cronograma de discussões em torno do novo tratado internacional. Segundo os documentos da ONU, a partir de 2013 começa a ser desenhado o novo plano. O acordo terá que ser concluído até maio de 2015, para ser apresentado e aprovado no fim do mesmo ano na COP 21, que deve acontecer em Paris, na França. “A ideia é que entre 2013 e 2015, as reuniões sejam intensas”, comenta o embaixador.

 

 

 
     
     

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